Carlos & Antonio

martes

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Antonio usava um roupão azul e chinelas japonesas

Carlos ia à academia de bike

Antonio dava biscoitinhos especiais para suas cachorras

Mas o macho predominante era o Carlos

Antonio possuía talentos gastronômicos

Carlos adorava uma bucetinha

Antonio assistia à National Geographic

Carlos apreciava vodka

Antonio era emotivo e sensível

Carlos tinha um ótimo senso de humor

Antonio não lia nada sem seus óculos

Carlos tinha olhos irresistíveis

Antonio contava lindas historias sobre os seus filhos

Carlos também ...

Antonio gostava de Etta James e Buddy Guy

Carlos ouvia Sympathy for the Devil, dos Stones

Antonio acreditava nos sonhos de futuro

Carlos freqüentava o bar do Pinu

Todos os dias, Antonio acrescentava um detalhe decorativo à sua casa

Carlos dormia depois do almoço

Antonio fumava e filosofava

Carlos fumava e me comia

Se o Antonio me oferecia um travesseiro,

O Carlos tirava

Se o Carlos me devolvia o travesseiro,

O Antonio tirava ...

O banheiro do Antonio cheirava a eucalipto

Mas o Carlos esquecia de comprar papel higiênico

Antonio sempre foi um Homem!

Carlos, um garotão

Antonio possuia um estilo clássico

Carlos, esportivo

Antonio era sensual

Carlos, viril!

O Carlos, eu já conhecia

O Antonio, não ...

Antonio me embalava no "bercinho"

Carlos me arrastava pra "Toca do Lobo"

Carlos desejava duas mulheres em sua cama

Já com o Antonio, invertíamos os papeis

Para o Antonio, guardava os meus pensamentos mais doces

Pelo Carlos, nutria uma paixão desmedida

A Antonio dizia que eu era maluca

O Carlos teve medo

*
Para ambos, Carlos & Antonio,

pela injeção de libido - incrível espelho

catapultada para a vida

The Tiger

viernes

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William Blake

Tradução de Ângelo Monteiro




Tigre, tigre que flamejas

Nas florestas da noite.

Que mão que olho imortal

Se atreveu a plasmar tua terrível simetria ?



Em que longínquo abismo, em que remotos céus

Ardeu o fogo de teus olhos ?

Sobre que asas se atreveu a ascender ?

Que mão teve a ousadia de capturá-lo ?

Que espada, que astúcia foi capaz de urdir

As fibras do teu coração ?



E quando teu coração começou a bater,

Que mão, que espantosos pés

Puderam arrancar-te da profunda caverna,

Para trazer-te aqui ?

Que martelo te forjou ? Que cadeia ?

Que bigorna te bateu ? Que poderosa mordaça

Pôde conter teus pavorosos terrores ?



Quando os astros lançaram os seus dardos,

E regaram de lágrimas os céus,

Sorriu Ele ao ver sua criação ?

Quem deu vida ao cordeiro também te criou ?



Tigre, tigre, que flamejas

Nas florestas da noite.

Que mão, que olho imortal

Se atreveu a plasmar tua terrível simetria ?


O corpo, lugar de utopias

jueves

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Basta eu acordar que não posso escapar deste lugar, o meu corpo. Posso me mexer, andar por aí, mas não posso me deslocar sem ele. Posso ir até o fim do mundo, posso me encolher debaixo das cobertas, mas o corpo sempre estará onde eu estou. Ele está aqui, irreparavelmente: não está nunca em outro lugar. Meu corpo é o contrário de uma utopia. Todos os dias eu me vejo no espelho: rosto magro, costas curvadas, olhos míopes, nenhum cabelo... não é bonito. Meu corpo é uma jaula desagradável. É através de suas grades que eu vou falar, olhar, ser visto. É o lugar a que estou condenado sem recurso.

É possível que contra esse corpo tenham nascido todas as utopias, dele nasce a utopia original --a de um corpo incorporal: o país das fadas, dos elfos, dos gênios, onde as feridas se curam imediatamente, onde caímos de uma montanha sem nos machucar, onde podemos ficar invisíveis.

Há outra utopia dedicada a desfazer o corpo é o país dos mortos. A múmia é o corpo utópico que desafia o tempo. Há as pinturas e esculturas dos túmulos, que prolongam uma juventude que nunca vai passar, que será eterna. Meu corpo se torna sólido como uma coisa, e eterno como um deus.

A outra, a maior utopia criada contra o corpo é o grande mito da alma, que funciona maravilhosamente dentro do meu corpo, mas escapa dele. É bela, pura, branca, ao contrário do meu corpo. Durará para sempre. É meu corpo luminoso, purificado.

Assim, pela mágica dessas utopias, meu corpo pesado e feio desaparece magicamente. Recebo-o de volta fulgurante e perpétuo.

Mas meu corpo, nele mesmo, seus recursos próprios de fantástico. Tem lugares sem-lugar. Tem seus lugares obscuros e praias luminosas. Minha cabeça é uma estranha caverna, com duas aberturas, meus olhos. E, se as coisas entram na minha cabeça, ficam ao mesmo tempo fora delas.

Corpo incompreensível, penetrável e opaco, aberto e fechado: corpo utópico. Absolutamente visível --porque sei o que é ser visto e ver os outros. Mas esse corpo é também tomado por uma certa invisibilidade: minha nuca, por exemplo. Minhas costas: conheço seus movimentos, sua posição, mas não as vejo. Corpo que é um fantasma, que só posso ver pelo truque, pela miragem de um espelho.

Esse corpo não é uma coisa: anda, mexe, quer, se deixa atravessar sem resistências por minhas intenções. Só quando estou doente –dor de estômago, febre-- ele se torna coisa, opaca, independente de mim.

Não, o corpo não precisa de fadas e almas para ser utópico, visível e invisível, transparente e concreto. Para que eu seja utopia, preciso apenas ser... um corpo. As utopias não apagam o corpo: nasceram dele, para só depois, talvez, voltarem-se contra ele.

Uma coisa, entretanto, é certa: o corpo humano é o ator principal de todas as utopias. O sonho de um corpo imenso, o mito dos gigantes, de Prometeu, é uma utopia. O sonho de voar também.

O corpo é também ator utópico quando se pensa nas máscaras, na tatuagem, na maquiagem. Não se trata, aqui, propriamente, de adquirir um outro corpo, mais bonito ou reconhecível.

Trata-se de fazer o corpo entrar em comunicação com poderes secretos, forças invisíveis. Uma linguagem enigmática e sagrada se deposita sobre o corpo, chamando sobre ele o poder de um deus, a força surda do sagrado, a vivacidade do desejo. Fazem do corpo o fragmento de um espaço imaginário, que entra em comunicação com o universo dos outros, dos deuses, das pessoas que queremos seduzir.

O corpo é arrancado de seu espaço próprio e arremessado a um outro espaço. As vestimentas religiosas, por exemplo, fazem o indivíduo entrar no espaço cercado do sagrado, ou na comunhão da sociedade. Tudo o que toca no corpo, uniformes, diademas, faz florescerem as utopias internas do corpo.

E a carne nela mesma pode ser também utópica. Faz o corpo voltar-se contra si: o outro mundo, o contra-mundo, penetra nesse corpo, que se torna produto de seus fantasmas: o corpo de um dançarino, por exemplo, é um corpo dilatado pelo espaço –espaço que lhe é interior e exterior ao mesmo tempo. O corpo do mártir acolhe a dor e a salvação. O corpo de um drogado, de um possuído, de um estigmatizado, recebe em si o que lhe é exterior.

Bobagem dizer portanto, como fiz no início, que meu corpo nunca está em outro lugar. Meu corpo está sempre em outro lugar. Está ligado a todos os outros lugares do mundo, e está num outro lugar que é o além do mundo. É em relação ao corpo que existe uma esquerda e uma direita, um atrás e um na frente, um embaixo e um em cima.

O corpo está no centro do mundo, nódulo utópico a partir do qual penso, sonho, me comunico. O corpo, como a Cidade de Deus, não tem lugar, e é de lá que se irradiam todos os lugares possíveis.

Apenas o espelho e o cadáver selam e calam essa voragem utópica. Os dois estão num outro lugar impenetrável, mas nesse momento já não sou eu mesmo. Para que eu seja eu mesmo, no meu corpo, sem utopia, é preciso uma situação bem definida. Só o ato amoroso, quando nos entregamos a ele, acalma a utopia do nosso corpo: por isso, no imaginário, ele é tão próximo ao espelho e à morte. É porque só no amor o meu corpo está AQUI.

Michel Foucault:

Lua Nova

sábado

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A viagem de Chihiro

Cheguei há pouco. Aqui estão os milhares de mundos paralelos, fechados entre/capas, letras observando-me - bichinhos de papel - acenando-me com seus títulos e temas sugestivos ora pertinentes, suas cores, imagens, símbolos, blocos, caixas de informações, receptáculos, conteúdos, vasos... Copas. Acaricio-os, folheio um e outro. O verdadeiro Graal, através desses mundos, vai encontrando um novo sentido para o Real. É necessário seguir despegandome. Racionalmente, porém. Ontem me presenteei com um pequeno / grande espaço - o prazer incomparável de gerir a vida. Minha vida! Com direito à varandinha para céu amplo, que se abre ao futuro imediato como este fundo marinho, bailinho de estrelas/música lenta, desfile de nuvens, ou mesmo no mau humor típico das noites em minha cidade... Seja bem-vinda você também, Lua Nova.


Em seguida, chegam às minhas narinas os vapores ébrios daqueles que invariavelmente confraternizam com a solidão, identifico um afeto discreto - discretamente desejado, e ainda penso muito no silêncio e nos olhos daquele que arranhou-me a pele e o querer, há anos amortecidos pelo medo de Amar. Lambo essas feridas recentes, tão cruas / cruéis... Viscerais quanto as minhas novas determinações. Tudo é novidade. Eliminar o que não serve é novidade. E não é algo para lamentar-me. É que por vezes, o sinto tão intrigante e perto, justo quando a saudade interpõe-se - como um fantasma doméstico - entre a atividade diária e a lembrança de si - mais que tudo - de quando – tu - adormecia em meus braços, suavemente entregue, o hálito próximo, o hábito posto, e eu nunca, nunca conseguia dormir... não podia dormir - Magia para suspender o Tempo... Os muitos que sabem que a paixão é mesmo assim, dirão Amém.

Eis o retorno à autentica Vontade de realizar, agregar, eleger, construir, criar, reformar, emagrecer, e amar, e amar, e amar-me.




Bicentenário de Edgar Allan Poe

viernes

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Deuses no deserto

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Gosto de permanecer no anonimato, de transparecer algum mistério, de ouvir tudo e não ouvir nada. De ser ninguém. Gosto mesmo é daquele sorriso meio amarelo meio desconcertado, como se fosse um tropeço, ou uma confissão, ou um jeito desajeitado dos lábios, um "não sei o que faço com a minha boca agora”, um desconforto de quem é pego no ato, uma tentativa frustrada de fuga. Esse sorriso depois dos necessários minutos, ensaiados para o primeiro olhar da noite/ primeiro ato, ou até que o álcool em meu sangue determine o devido grau de amortecimento. Para o primeiro acorde da nossa valsa particular, um "tirar para dançar" discreto. Nossos olhares pontuam, traçam metas, trançam rotas, invertem passos, atravessam os limites da realidade, desafiam o tempo e a moral daqueles que os ignoram. Sim, esses olhares dizem coisas que não podemos dizer. Um olhar desses é tão intenso quanto um toque, tão especial como um beijo. Excede-se, segundos além do permitido, além do suportável. Como uma brincadeira de quem pisca primeiro - um desafio acima de tudo. Uma delícia, um vício, um fim em si mesmo - sem meios, um "direto ao assunto" sem subterfúgios, sem escrúpulos, uma forma de invasão, uma perversão, um protesto, apropriação da alma, uma guerra e uma rendição, toda sua e nada sua, todo meu e nada meu, tudo e nada num segundo, profundamente sexual. Vazio. Uma impressão. Um "ouvi falar". Um conto. Um boato. Um mito. Deuses no deserto. Totalmente incerto. Paixão.

O outro lado da Lua >>>

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Aos poucos ...Tudo parece complicado, mas é de uma simplicidade crua, visceral ... Às vezes, gostaria de ver o mundo com olhos de águia - predatória, calculada, eficaz ... Suave seria o silêncio depois de destrinchada a presa e saciada a nossa fome ... Depois, o sono justo dos que atravessam a vida travestidos de feras, mas frágeis na essência ...
Flocos de neve soprados no Atacama.

Contrato com a Vida

domingo

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A PARTIR DE HOJE EU ME AUTORIZO...

...a me sentir valorizado(a), mesmo quando os outros não reconhecerem o meu valor;
...a dar uma oportunidade para o amor, mesmo quando meu coração insistir em manter as portas fechadas;
...a sentir prazer, mesmo quando a culpa e o medo tentarem roubá-lo de mim;
...a confiar nas minhas capacidades, mesmo tendo me acostumado a menosprezá-las;
...a superar minhas limitações, mesmo tendo desistido de enfrentá-las;
...à felicidade;
...às grandes oportunidades;

A PARTIR DE HOJE EU ME AUTORIZO...

...a acreditar no melhor da vida, mesmo estando acostumado(a) a acreditar que isso não passa de utopia;
...a dar o meu melhor sorriso, mesmo que talvez eu não receba outro de volta;
...a vestir a roupa mais bonita, mesmo quando eu me sentir feio(a) e caído(a);
...a expressar palavras de alegria,mesmo quando eu me sentir triste e desiludido(a);
...a ser corajoso(a), verdadeiro(a) e generoso(a), mesmo não recebendo nada em troca;
...a oferecer o melhor de mim todos os dias, com a certeza de receber o melhor da vida; pois não há dádiva maior do que conhecer o melhor que está em mim.

A PARTIR DE HOJE EU ME AUTORIZO...

...a aceitar os anseios de minha alma;
...a sentir os desejos que pulsam em meu coração;
...a conhecer minhas emoções mais profundas;
...a despertar meus talentos e potencialidades;
...a trabalhar para realizar meus verdadeiros sonhos;
...a me libertar para encontrar meu caminho;
...a valorizar o que tenho e o que sou;
...a ter coragem de reconhecer o que é importante para a minha vida;
...a ser vitorioso(a)na minha vida pessoal e profissional;
...a não me comparar nem me desvalorizar;

Porque onde estou e como estou é a porta de entrada para a realização da minha história. Uma história única e fascinante na qual a autenticidade é minha maior diretriz.

A PARTIR DE HOJE EU ME AUTORIZO...

...a viver o meu presente;
...a viver o meu melhor;
...porque estou no lugar certo com as pessoas certas e na hora certa;

POR ISSO ESCOLHO:

-a coragem, em vez do medo:
-a fé, em vez da dúvida;
-o amor, em vez da mágoa;
-a luz, em vez da escuridão;
-escolho fazer da confiança a minha bússola,bússola que me guia para atravessar mares e abrir novos caminhos;
-a partir de hoje confio que o melhor infalivelmente acontece, e muitas vezes o melhor não é o que espero,mas aquilo de que preciso para trilhar meu verdadeiro caminho.

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jueves

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miércoles

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"Existe um local para lá das palavras, onde a experiencia ocorre pela primeira vez e ao qual sempre desejo voltar. Suspeito que sempre que expresso os meus pensamentos, ou traduzo os meus impulsos por palavras, estou a atraiçoar os verdadeiros pensamentos e impulsos, que permanecem ocultos. Em lugar de me expressar, estou a produzir um documento metodicamente ordenado sobre o estado de espírito de qualquer outra pessoa. Ao ver-me mentalmente a rever os meus apontamentos, sinto o desejo de que fossem mais completos. "
Jerzy Kosinski / A Arvore do Diabo

Terceira Manhã

sábado

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viernes

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Sem mais ...

miércoles

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*
Bem mais que o tempo
Que nós perdemos
Ficou prá trás
Também o que nos juntou...
Ainda lembro
Que eu estava lendo
Só prá saber
O que você achou
Dos versos que eu fiz
E ainda espero
Resposta...
Desfaz o vento
O que há por dentro
Desse lugar
Que ninguém mais pisou...
Você está vendo
O que está acontecendo
Nesse caderno
Sei que ainda estão...
Os versos seus
Tão meus que peço
Nos versos meus
Tão seus que esperem
Que os aceite...
Em paz eu digo que eu sou
O antídoto do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante...
*
Samuel Rosa / Nando Reis

Foguete

lunes

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*
Não é nem o mar
nem o universo
esta luz azul
em nossos dedos

por sob as pálpebras
milhares de antenas
apalpam confusas o céu

cravo vermelho
sozinho num vaso
estás diante de mim
como escrita de amor

havia uma cerva
cor de enxofre, amarela
e havia uma torre
de ouro

os anos lhe contavam
cinco corvos
que a grasnar dispersaram-se
mágico pentagrama

os cabelos da bela
alvejavam de lírios
no corpo da bela
escrevi livros

Eu não posso viver
com pavões apenas
nem viajar noite e dia
entre olhos de sereia.
*
Giórgos Seféris

Janelas Abertas número 2

domingo

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Sim,
eu poderia abrir as portas que dão pra dentro
Percorrer correndo os corredores em silêncio
Perder as paredes aparentes do edifício
Penetrar no labirinto
O labirinto de labirintos
Dentro do apartamento
Sim,
eu poderia procurar por dentro a casa
Cruzar uma por uma as sete portas,
as sete moradas
Na sala receber o beijo frio em minha boca
Beijo de uma deusa morta
Deus morto fêmea de língua gelada
Língua gelada
como nada
Sim,
eu poderia em cada quarto rever a mobília
Em cada uma matar um membro da família
Até que aplenitude e a morte coincidissem um dia
O que aconteceria
de qualquer jeito
Mas
eu prefiro abrir as janelas prá que entrem
todos os insetos
*
Caetano Veloso

Alquimias

sábado

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Chega de dramas.
A mão veada reassume a sua cozinha.

viernes

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Jean-Honoré Fragonard (1732–1806)

Don Quixote Reading, c. 1780–90

Black chalk and bistre wash on buff paper

Gloomy sunday

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Sonhei contigo. Você estava num circo, em companhia de 3 amigas que vieram de longe para vê-lo. Contava-me ao telefone que haviam estado 15 minutos conversando tão animadamente, que quase perderam a sessão. E no entanto você estava lá, bem abaixo das acrobacias, com o seu telefone/câmera/filmadora. Eu podia vê-lo, a si, às suas amigas que estavam sentadas próximas, e à toda cena. E, no instante seguinte, já não mais podia. Então, nos despedimos. No entanto, você não desligou o telefone. E havia uma música ao fundo. Uma música que julguei ser húngara. Assombrosamente lírica. Uma voz feminina. Uma cancão de outro tempo, de outra vida. Essa canção, eu a conhecia intimamente. Ficamos ambos em silêncio, ouvindo-a. Eu sentia a sua presença do outro lado da linha. No compasso de espera. Podia escutar a sua respiração. E você sabia que eu a estava ouvindo. Estirei meus braços sobre a mesa, pousei a cabeça. Fui absorvida pelo sentido de tudo aquilo, intensa, completamente. Não despertei.

Tudo Flui

miércoles

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(...) Fomos levados lentamente pelo motor até o meio do rio marrom brilhante, sob um céu imenso e um sol intenso. Um instante delicioso – depois de ter sido feito todo o possível para uma viagem que finalmente se inicia – quando não mais se é responsável, já que o fardo está por conta do piloto ou do mecânico, do marinheiro ou do mestre. Já deixamos o mundo de onde viemos e o destino ainda é desconhecido. Um dos meus momentos favoritos, mais familiar, ainda que menos estimado, nos ambientes estéreis dos aviões transoceânicos. E quão mais rico aqui, rodeado pelos caixotes de peixe seco e refrigerantes de cores tóxicas e luminosas!
Abri um pequeno espaço onde dava para sentar de pernas cruzadas e enrolei um baseado – tirado do extraordinário quilo de Santa Marta Gold que conseguimos como parte de nossas provisões durante o mês em Bogotá. A corrente do rio era como a fumaça rica que eu inalava. O fluxo da fumaça, o fluxo da água e do tempo. “Tudo flui”, disse um amado grego. Heráclito foi chamado de filósofo-chorão, como se tivesse falado em desespero. Mas, por que chorão? Adoro o que ele diz – não me faz chorar. Ao invés de interpretar pante rhea como “nada perdura”, sempre considerei essas palavras uma expressão oriental do Tao.
E cá estávamos, descendo com a corrente do Putamayo. Que luxo estar fumando, de novo nos trópicos, de novo na luz, longe do tempo e dos lugares da morte. Longe do estado de emergência no Canadá, à margem da América louca e manchada pela guerra. A morte da minha mãe e, coincidentemente, a perda de todos os meus livros e obras de arte, cuidadosamente colecionados e cuidadosamente mandados de volta de navio e guardados, e em seguida queimados num dos incêndios que dizimam periodicamente os matagais de Berkeley Hills. Câncer e Fogo. Fogo e Câncer. Longe dessas coisas terríveis, onde casas de jogos de Monopólio, de um verde que parece cera, desmoronam em fendas abertas na paisagem psíquica.
E, antes disso, Tóquio; sua atmosfera de outro planeta, a pretensão de me ajustar ao ciclo de trabalho. O quanto será que nos desumanizamos ficando por pouco tempo numa situação desumana? As noites nos trens. As salas abafadas dos cursos Akihabara, de inglês. Tóquio exigia gasto de dinheiro, e a única maneira de fugir de lá era economizando-o.
Pensei nos dez meses de profunda alienação que começaram quando deixei a Ásia tropical e, como um cometa sendo atraído ao ponto de colidir com a sua estrela, fui arrastado através de Hong Kong, Taipé, Tóquio e Vancouver – antes de ser atirado à América às voltas com a guerra e de ir para outros países tropicais, novos e desgraçadamente pobres. O vôo de Vancouver à Cidade do México passou por sobre minha mãe adormecida em seu primeiro inverno na sepultura. Passou sobre Albuquerque, apenas um padrão de rodovias se interconectando no vazio da noite no deserto. Passou e passou em direção ao que então era apenas uma idéia: a Amazônia.
No rio o passado podia penetrar a quietude e desdobrar-se diante dos olhos da mente, desfraldando um tecido negro de casuísmo entrelaçados. Forças, visíveis e ocultas, estendendo-se em direção ao passado; migrações; conversões religiosas – as descobertas pessoais fazem de cada um de nós de um microcosmo do padrão mais amplo da história. A inércia de introspecção leva às lembranças, já que apenas na lembrança o passado é recapturado e compreendido. No fato de viver e criar o presente, somos todos atores. Mas nas lacunas – nos raros momentos de privação sensorial em que a experiência presente é apenas uma coisa mínima, como num longo vôo de avião em que somos levados a um indolente auto-exame – a memória é livre para falar e trazer de volta as paisagens das nossas lutas no passado.
Agora – no agora que é um tempo além das fronteiras desta narrativa, um agora em que esta história faz parte do passado – não me preocupo com o passado como acontecia na época. Agora ele está assentado em mim de um modo que, na época, não estava. (...)

*
Terence Mckenna / Alucinações Reais

A Terceira Lâmina

martes

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É aquela que fere

Que virá mais tranqüila

Com a fome do povo

Com pedaços da vida

Como a dura semente

Que se prende no fogo

De toda multidão

Acho bem mais

Do que pedras na mão...

Dos que vivem calados

Pendurados no tempo

Esquecendo os momentos

Na fundura do poço

Na garganta do fosso

Na voz de um cantador...

E virá como guerra

A terceira mensagem

Na cabeça do homem

Aflição e coragem

Afastado da terra

Ele pensa na fera

Que o começa a devorar...

Acho que os anos

Irão se passar

Com aquela certeza

Que teremos no olho

Novamente a idéia

De sairmos do poço

Da garganta do fosso

Na voz de um cantador...

*

Zé Ramalho

Crise volta a derrubar mercados ao redor do mundo - Álbum de Fotos - UOL Notícias

lunes

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Crise volta a derrubar mercados ao redor do mundo - Álbum de Fotos - UOL Notícias

Teu passo forte e falso e vivo e raro

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Claudio Botti / Tropilla Negra / Postal adquirido em 05.10.2008

Aeroporto Ezeiza - Buenos Aires

*

Pintei de verde a grama em dia claro

De verde forte e falso e vivo e raro

Que seja a grama brutal

Se eu quero a cena ideal

*

Na luz do dia não passei a tinta

Que luz tão clara só com sol se pinta

Que seja o dia real

Se eu quero a cena ideal

*

Olhando a cena é que eu me sinto viva

Deixando o tempo abrir o teu caminho

Pela grama verde

eu quero te ver passar

Pela grama verde

eu quero te ver passar

*

Pintei a grama pro teu passo é claro

Teu passo forte e falso e vivo e raro

Que seja o passo banal

Se eu quero a cena ideal

*

Olhando a cena é que eu me sinto viva

Deixando o tempo abrir o teu caminho

Pela grama verde

eu quero te ver passar

Pela grama verde

eu quero te ver passar

Só passar

*

Victor Ramil

Escrever, prolongar o Tempo

miércoles

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Não posso escrever enquanto estou ansiosa ou espero soluções
porque em tais períodos faço tudo para que as horas passem;
e escrever é prolongar o Tempo,
é dividí-lo em partículas de segundos,
dando a cada uma delas uma vida insubstituível.
*
Clarice Lispector / A Legião Estrangeira

Palco

martes

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Venho para a festa
Sei que muitos têm na testa
O deus-sol como um sinal
(um sinal)
Eu como devoto
Trago um cesto de alegrias de quintal
(De quintal)
*
Gilberto Gil

PRESENÇA

lunes

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*
É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.
*
Mario Quintana

domingo

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"Enquanto não morreres e não tornares a levantar-te, serás um estranho para a terra escura"

Goethe


Yo mismo

sábado

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*
Yo mismo en arco iris
yo mismo en blanco y negro
yo mismo en paradoja
yo mismo en disidencia
yo mismo en mestizaje
yo mismo inagarrable en canon
de erotismo
yo mismo en carne y hueso
yo mismo de nieve mezclada con sangre
maduré bajo la máscara en mi alma
tan frágil entre las garras del tiempo
donde sonrió mi angustia.
Subterránea es mi luz hueca
mis amnesias en el insomnio de mis
raíces y el incendio de mis tinieblas.
Toco mi soledad en el interior
del circo y danzo mi locura
en un trapecio imaginario.
Y sigo siendo el dueño
de mis palabras insólitas
yo mismo rebelde incorregible
tan violentamente yo mismo que
oscilo y deliro en el estropicio de las vocales
y de las sílabas en llamas.
Cada noche hablo en silencio a mis
abejas efímeras
y adivino la miel del alba.
*
Frankétienne nació en Puerto Príncipe en 1936
y es el más grande escritor haitiano vivo.
Es también profesor, dramaturgo, pintor, y cantor.
Fue uno de los fundadores del movimiento Espiralista.

Consciência Inorgânica

miércoles

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Lillian Gish
que eu seria se EU não fosse EU mesmo?‏
(Narciso querendo desentender...)
*
Eu teria asas. Asas planadoras. Asas fugidias. Asas contemplativas.
Assim, como equipamento básico.
E umas sobresalentes, guardadas por baixos das mangas de renda branca,
como trunfos ou truques da magia.
Asas como cartas de baralho.
E seriam muitas as mangas, porque seriam muitos os braços, assim como as mãos.
Talvez uns tantos coelhos (daqueles que dizem sempre que é tarde!!!)
guardados bem no fundo da cartola.
Claro, para que não nos encham o saco com a idéia de que não há mais tempo.
Mas teriam a oportunidade de manisfestar-se sempre que quisessem,
já que a escravidão só pode (e deve) ser voluntária.
Quanto à natureza,
sinto que ficaria magoada se quisesse (mesmo que em tese) modificá-la.
Ainda assim, continuaria tentando reproduzir seu esplendor,
mesmo que fosse processada por plágio.
Além do mais, ela jamais nos renegou!!!
Pensando bem, aqueles que advogam em sua causa,
não devem se esquecer de que ela sempre será capaz de adaptar-se a uma nova situação, modificando-se o quanto for necessário
(se sobreviveremos, é uma irrelevante questão à parte, claro!).
Esses outros mundos que almejo,
seriam alcançados mais rapidamente,
sem que houvesse a necessidade de um alterador de consciência.
Mesmo porque eu já sei que existem.
E aqueles que pensassem - neste momento - que eu estou ficando maluca,
seriam instantaneamente materializados nesses mundos
(os deles, obviamente)
para que não duvidassem mais dessa oportunidade.
"Materializados" é bem um modo de dizer, e deixa pra lá.
Mantendo a temática, deixaria de me preocupar com a opinião alheia.
Manteria os atuais amigos
- que me são carissímos -
e agregaria uns tantos outros muitos,
que seriam instituídos (por assim dizer) por pura empatia.
Às vezes, um simples olhar ...
E você? O que você seria?
*
Vé lá,
entrou "facinho" e desceu redondo
(antes da cervejaria se apropriar do termo, bem entendido)
*

Subtemoon

domingo

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Você tem fome de quê?

martes

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Ilustração - Mariana Coan

*

Caros amigos: não sei quem sou!

Não há perdão, não há o que perdoar.

Não há perda, não há o que perder.

Não há corrida do ouro, não há o que ganhar.

Agora são dias e noites na dança dos dias e das noites.

Damas e cavalheiros que se revezam,

(o espetáculo não pode parar!)


É bonito de se ver ...


Há pouco, recusei um vinho. Ah, desobrigações!

Desobrigo-me do prazer.

Desobrigo-me por prazer.

Se falei contigo hoje, é porque havia o que dizer.

Naquele instante, uma necessidade vital,

uma febre viral.

E no entanto, a dor se foi.

Partiu, provavelmente entediou-se.

Aquele que era um amor doido e corrosivo

também se foi.

O último ícone sumiu, a última máscara caiu.

Estou nua e não sei o que vestir.

Não sei qual rosto afagar,

não sei que palavras dizer.

E o futuro que era tão urgente, chegará de qualquer forma.

O passado está guardado em caixas de sapato.

O presente roça minhas pernas e ronrona,

diz "tic-tac."

As horas são amigas das pedras.

Y

sábado

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De aquí los hechos, los acontecimientos.

Y el sentido de las cosas.

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O Gato apenas sorriu quando viu Alice. Ele parecia bem natural, ela pensou, e tinha garras muito longas e muitos dentes grandes, assim ela sentiu que deveria tratá-lo com respeito.

“Gatinho de Cheshire”, começou, bem timidamente, pois não tinha certeza se ele gostaria de ser chamado assim: entretando ele apenas sorriu um pouco mais.

“Acho que ele gostou”, pensou Alice, e continuou.

“O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?”

“Isso depende muito de para onde você quer ir”, respondeu o Gato.

“Não me importo muito para onde...”, retrucou Alice.

“Então não importa o caminho que você escolha”, disse o Gato.

“...contanto que dê em algum lugar”, Alice completou.

“Oh, você pode ter certeza que vai chegar”, disse o Gato, “se você caminhar bastante.”

Alice sentiu que isso não deveria ser negado, então ela tentou outra pergunta.

“Que tipo de gente vive lá?”

“Naquela direção”, o Gato disse, apontando sua pata direita em círculo, “vive o Chapeleiro, e naquela”, apontando a outra pata, “vive a Lebre de Março. Visite qualquer um que você queira, os dois são malucos.”

“Mas eu não quero ficar entre gente maluca”, Alice retrucou.

“Oh, você não tem saída”, disse o Gato, “nós somos todos malucos aqui. Eu sou louco. Você é louca.”

“Como você sabe que eu sou louca?”, perguntou Alice.

“Você deve ser”, afirmou o Gato, “ou então não teria vindo para cá.”

O Estrangeiro

viernes

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"é chegada a hora da reeducação de alguém
do pai, do filho, do espírito santo, amém
o certo é louco tomar eletrochoque
o certo é saber que o certo é certo
o macho adulto branco sempre no comando
e o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
riscar os índios, nada esperar dos pretos"
e eu,
menos estrangeiro no lugar que no momento
sigo mais sozinho caminhando contra o vento
e entendo o centro
do que estão dizendo aquele cara e aquela:
é um desmascaro
singelo grito:
"o rei está nu"
mas eu desperto porque tudo cala
frente ao fato de que o rei é mais bonito nu
*
Caetano Veloso / O Estrangeiro

Sensações

jueves

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(...) Mas o homem é a tal ponto afeiçoado a seu sistema e à dedução abstrata que está pronto a deturpar intencionalmente a verdade, a descrer de seus olhos e seus ouvidos apenas para justificar a sua lógica. Tomo justo esse exemplo por ser tão eloquente. Lançai um olhar ao redor: o sangue jorra em torrentes e, o que é mais, de modo tão alegre como se fosse champagne

(...) O que suaviza, pois, em nós a civilização? A civilização elabora no homem apenas a multiplicação de sensações e ... absolutamente mais nada. E, através do desenvolvimento dessa multiplicidade, o homem talvez chegue ao ponto de encontrar prazer em derramar sangue. Bem que isso já lhe aconteceu ...

*

Memórias do Subsolo / F. Dostoíévski


Segredo

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E o que encenava eu, antes e agora?
Uma grande farsa?Um segredo. Escondia-o de mim, de ti, de todos. Dei-lhe asas, alimento, meus carinhos.
Dei-lhe uma cara, um nome, um sobrenome, um vulto e uma epígrafe.
Dei-lhe sombra, mitos. Gritos estridentes na montanha. Espinhos.
Uma cama. Muita calma.
Levanta-se pela manhã arrastando as asas, resmungão,
remelas nos olhos, um bebê esse meu segredo.
Nasceu há tempos.
E ninguém soube.

Cais

domingo

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Paraty / Janeiro / 2008
*
Pensou no barco enfeitado
procurando um porto:
festa à bordo,
quarentenas,
piratas ...
O porto era esse:
Um porto de recomeço.
Qualquer ponto
onde se atraque.

PUDDLE

sábado

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M. C. Escher

xilogravura 1952

O céu noturno sem nuvens reflete-se numa poça d'água que resultou de um aguaceiro,

numa cova dum caminho na mata.

No caminho enlameado desenham-se os carris dos pneus de dois caminhões,

de duas bicicletas e pegadas de dois homens.

Tocando em ...

jueves

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Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou
Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, e no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir.
*
Almir Sater / Renato Teixeira

TERRA

miércoles

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O STF (Supremo Tribunal Federal) começou a julgar às 9h30 desta quarta-feira a demarcação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima. A expectativa do governo é que a demarcação contínua seja mantida, enquanto arrozeiros querem a criação de "ilhas" para permitir a presença de não-indígenas.
A demarcação da reserva foi homologada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2005. Cerca de 20 mil índios, majoritariamente do povo macuxi, ocupam a reserva.
O julgamento, que deve durar dois dias, começou com a leitura do relatório de pelo menos 108 páginas do ministro Carlos Ayres Britto.
A ação contestando a demarcação da reserva aponta as conseqüências "desastrosas" à estrutura produtiva comercial de Roraima e comprometimento da soberania e da segurança nacionais. Também suscita os direitos dos não-índios que habitam a região "há três ou mais gerações" que terão de abandonar as terras.
O STF quebrou o protocolo para permitir que grupos indígenas acompanhem o julgamento em seus trajes.
LÍSIA GUSMÃO
Folha Online, em Brasília

*

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?...

De onde nem tempo, nem espaço
Que a força mãe dê coragem
Prá gente te dar carinho
Durante toda a viagem
Que realizas do nada
Através do qual carregas
O nome da tua carne...

Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Terra! Terra
*
CAETANO VELOSO

TABACARIA

domingo

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Scanno 1956 / Escher
*
(...)

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.

Estou hoje dividido entre a lealdade que devo

À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,

E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.

Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.

A aprendizagem que me deram,

Desci dela pela janela das traseiras da casa.

Fui até ao campo com grandes propósitos.

Mas lá encontrei só ervas e árvores,

E quando havia gente era igual à outra.

Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?

Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!

E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!

Gênio? Neste momento

Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,

E a história não marcará, quem sabe?, nem um,

Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.

Não, não creio em mim.

Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!

Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?

Não, nem em mim...

Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo

Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?

Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -

Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,

E quem sabe se realizáveis,

Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?

O mundo é para quem nasce para o conquistar

E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.

Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.

Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,

Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.

Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,

Ainda que não more nela;

Serei sempre o que não nasceu para isso;

Serei sempre só o que tinha qualidades;

Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,

E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,

E ouviu a voz de Deus num poço tapado.

Crer em mim? Não, nem em nada.

Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente

O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,

E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.

Escravos cardíacos das estrelas,

Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;

Mas acordamos e ele é opaco,

Levantamo-nos e ele é alheio,

Saímos de casa e ele é a terra inteira,

Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(...)

*
Alvaro de Campos

SIMULACRO

sábado

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THE CLIMAX / SALOMÉ
Aubrey Beardsley
*
Era agosto.
Tempo sem cura nem alívio.
Tobias à gosto de delírio.
Eu me cobriria de silêncio se ousasse apenas um único questionamento:
o que ainda não foi dito?
É por estupida surdez que ainda me insisto.
É por estoica mudez que ainda me grito.
Não conto até dez e cego e inconscientemente me repito.
*
Aluísio Martins (Maninho)
22/08/2008

jueves

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Se vc não vai desembarcar na próxima estação,


não fique na região das portas!


Próxima estação: LIBERDADE!

Alma

viernes

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Ingmar Bergman / Persona
+
A única maneira de lidar com a destrutividade é encarando - DE FRENTE - a impotência que a originou. Só aceitando a nossa impotência e vendo os limites que esta nos coloca, podemos livrar-nos do complexo de culpa mistificador que nos faz sentir pequenos e insignificantes. Se abandonarmos a idéia, segundo a qual a impotência é expressão de nosso fracasso, podemos libertar-nos de uma raiva primitiva e destruidora. Recalcando ou sublimando-a, pelo contrário, mantemos vivas as suas raízes. Além disso, a teoria da sublimação favorece um tipo de reformismo que retira importância à realidade da violência com uma atitude de brandura e de falsa compreensão. Se a questão for apenas a de redirecionar a tendência da violência para alvos menos nocivos, a questão do MAL fica por colocar: será que o dominamos, ou é ele que nos domina?
+

Arno Gruen

"Sentimentos Postiços"

A Loucura da Normalidade

Holofotes

jueves

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En sus ojos se veía una infinita tristeza ...

*

Dias sem carinho

Só que não me desespero:

Rango alumínio

Ar, pedra, carvão e ferro.

Eu lhe ofereço

Essas coisas que enumero:

Quando fantasio

É quando sou mais sincero

Desde o fim da nossa história

Eu já segui navios

Aviões e holofotes

Pela noite afora.

Me fissuram tantos signos

E selvas, portos, places,

Línguas, sexos, olhos

De amazonas que inventei.

Eis a Babilônia, amor,

E eis Babel aqui:

Algo da insônia

Do seu sonho antigo em mim.

Eis aqui

O meu presente

De navios

E aviões

Holofotes

Noites afora

E fissuras

E invenções:

Tudo isso

É pra queimar-se

Combustível

Pra se gastar

O carvão

O desespero

O alumínio

E o coração

*

João Bosco, Antônio Cícero & Waly Salomão

El Karma de vivir al Sur

viernes

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Yo se que un día ya no habrá perdón

yo se que un día no habrá confusión

porque si confías en mí ...

Las Doce Palabras Redobladas

martes

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"De las doce palabras
dichas y retorneadas,
cristiano, dime doce.
-Los doce apóstoles,
las once mil vírgenes,
los diez mandamientos,
los nueve coros,
los ocho gozos,
los siete dolores,
las seis candelarias,
las cinco llagas,
los cuatro evangelistas,
las tres Marías,
las dos tablas de Moisés,
donde Cristo nuestro bien
nació en Belén
a la una ...
que parió la Virgen Pura."
*
Vem!
Sou o espelho da tua desagregação!
Nunca ave de mau agouro,
antes, o anúncio do caos restabelecido:
"O Deserto e seus perigos adjacentes"
Vem ...
Sou prova irrefutável do marco zero
Sou teu mórbido desamparo,
teu sol ameno
Vem ...
Talvez haja vida nesse casulo pardo
Vem ...
Talvez seja a água no final do poço

A Traição do EU

sábado

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A verdadeira autonomia é o estado em que o Homem se encontra em plena harmonia com os seus sentimentos e as suas necessidades. Mas é justamente a prevalecente ideologia do sucesso e da eficiência que barra a muitos o acesso ao próprio Eu. A adaptação às normas sociais, induzida pela pressão educacional, faz com que a vitalidade, a criatividade e a capacidade de amar fiquem atrofiadas. Tamanha perda gera dependência e submissão.


Arno Gruen

domingo

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Como se nada tivesse acontecido ...

O Deus Provedor

martes

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Océano, infinito, disolución, cambio, desorientación.
Inicio, nacimiento, nuevo comienzo.
Disolución.
Conflicto, transformación, juicio, balance, re-organización.
****
El mar se expande al infinito, hacia dónde el sueño puede
llegar.
Nuevo Horizonte.
****
El Ciclo número 20 es el Ciclo del Despertar de los Muertos.
La tradición formula sus axiomas sobre este momento,
y los plasma en escritos.
Este Ciclo es el Ciclo de la polarización máxima de la energía
en el momento en que tu conciencia y la mía están posicionadas
en la visión global de las cosas, abarcando el tiempo hacia
atrás, y hacia adelante, abarcando el espacio completo, en la
última Esfera.
De igual forma el cambio es intenso en todo el planeta
y excita los ánimos y los procesos de la naturaleza.
***
Despertar es una palabra, pero despertar es una experiencia.
Y las palabras siempre son las mismas.
Y la experiencia siempre es nueva.

"ALe" Fabuleux destin d'Amélie Poulain

lunes

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Àquele que se diz meu namorado

jueves

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Passou o dia pensativa juntando coragem na saliva até encorpar a voz.
Aproveitou o ápice da sua agonia e, num impulso, disse tudo numa sensação só:
“A partir de hoje, não sou mais tua mulher, decidi gostar de outro”.
No início ele riu da ousadia, mas o silêncio que ela fez em seguida preencheu
de sinceridade aquela novidade.
“Você ficou maluca, de onde tirou isso?”
É que você nunca gostou de mim no grosso mesmo do sentimento...sempre foi essa coisinha aguada e mal-cuidada,água parada esperando doenças...”
Mas ninguém decide que vai gostar de outro de repente e, simplesmente, começa a gostar!”
“ Ah, mas eu decidi...
Ele vai realizar um sonho que tenho comigo desde menina:
ele disse que vai gostar de mim bem do jeitinho que eu gosto de você.
A diferença, é que eu sei merecer essas coisas...”
*
*
Marla de Queiroz

Amor delicado

martes

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*
Cuánto tiempo más,
yo te seguiré esperando
Cuánto tiempo más,
dime sólo cuánto tiempo más
*
Charly Garcia
*
Pouco tempo, meu amor.
Pouco tempo.

si escuchas esto por ahí...

lunes

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El Jardín Donde Vuelan Los Mares
Fito Paez
*
Yo sé que pudiste conocerme mejor
no sé qué pensaste, fue una extraña decepción
no lo hagas, no lo hagas
cuando me caí me diste todo tu amor
cuando me solté no me tuviste compasión
no lo hagas, no lo hagas.
Esta es una triste canción
sigue dando vueltas el sol
si escuchas esto por ahí
quiero saber de vos
si escuchas esto por ahí...
Yo también dejé mis fotos en un cajón
todos somos presas del asombro y el terror
no lo hagas
baby baila, baby ven
deja el rencor
si no quieres o debes, sólo dímelo
no lo hagas, no lo hagas.
Este es mi jardín, donde vuelan los mares
este es mi jardín, estate aquí no hay dos iguales
entra a mi jardín, cuando entras no sales
entra a mi jardín, esa nena no es un ángel
entonces vas a ver...
Este es mi jardín, toma un baño de sales
este es mi jardín, ella es Bibi, él es Pier Paolo
entra a mi jardín, nadie tiene la llave
entra a mi jardín, las parejas son impares
entonces vas y vas a ver.
Esta es una triste canción
sigue dando vueltas el sol
si escuchas esto por ahí
quiero saber de vos
si escuchas esto por ahí...

Dilma Rousseff e a anta da oposição >>>

jueves

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Senador José Agripino (DEM-RN):
'(Dilma) fugiu do objetivo da pergunta e com esperteza política usou da emoção para conseguir se vitimizar'
(Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil)
*
“Não é possível supor que se dialogue com pau-de-arara ou choque elétrico. Qualquer comparação entre a ditadura militar e a democracia brasileira só pode partir de quem não dá valor à democracia brasileira .Eu tinha 19 anos. Fiquei três anos na cadeia. E fui barbaramente torturada, senador. Qualquer pessoa que ousar dizer a verdade para interrogador compromete a vida dos seus iguais. Entrega pessoas para serem mortas. Eu me orgulho muito de ter mentido, senador. Porque mentir na tortura não é fácil. Na democracia se fala a verdade. Na tortura, quem tem coragem e dignidade fala mentira. E isso, senador, faz parte e integra a minha biografia, de que tenho imenso orgulho.

E completou: — Agüentar tortura é dificílimo. Todos nós somos muito frágeis, somos humanos, temos dor, a sedução, a tentação de falar o que ocorreu. A dor é insuportável, o senhor não imagina o quanto.”
*
Dilma Rousseff

em defesa do SESC >>>

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sesc pompéia projeto de lina bo bardi

fotografia de

f e r n a n d o s t a n k u n s

*

Carta aberta ao público freqüentador do SESC:
Queremos compartilhar com todos vocês o risco ao qual o SESC está exposto neste momento. O governo federal pretende enviar ao Congresso Nacional projeto de lei que retira pelo menos 33% dos recursos do SESC para a criação de mais um fundo de financiamento de programas de formação profissional.
Diante desse risco, é nosso dever expor à sociedade brasileira o valor e a importância desta instituição criada, mantida e administrada com recursos privados, provenientes de contribuição compulsória das empresas do comércio de bens e serviços surgida nos anos 40 por proposta voluntária do empresariado. Esta definição tem amparo na lei e na Constituição Brasileira

(art. 240).
O SESC promove a educação permanente por meio de suas ações culturais, socioambientais, esportivas, de promoção da saúde e da cidadania, das atividades de lazer e de sociabilização, voltadas prioritariamente às pessoas de menor renda.
A melhor maneira de conferir o significado dessa ação é vivenciar o dia-a-dia.nos centros culturais e desportivos. Ouvir o relato dos freqüentadores sobre a importância do SESC em suas vidas e para suas famílias. Utilizar os equipamentos e instalações de primeira qualidade, abertos a todos os estratos sociais, e participar das inúmeras atividades que abrangem um amplo arco de interesses e necessidades, reunindo um público extremamente diversificado.
Acreditamos que todos vocês já tiveram essa oportunidade. São, portanto, testemunhas da natureza beneficamente eficaz, engajadamente eficiente e profundamente educativa do trabalho que o SESC desenvolve há 61 anos. Esse patrimônio não pode ser sacrificado em favor de prioridades transitórias, em nome das quais se destruiria um trabalho consolidado em mais de seis décadas de atuação, causando um prejuízo incalculável ao desenvolvimento do país.
A educação profissional é importante. Mas se dissociada de uma ação voltada ao desenvolvimento integral do indivíduo, torna-se meramente utilitarista, o que levaria a um evidente retrocesso, fruto de uma visão obscurantista e flagrantemente retrógrada.
Diante da gravidade dessa situação, que propõe a retirada de substanciais recursos dos programas socioeducativos do SESC, convidamos a todos para que se manifestem, pelos meios ao seu alcance, em prol da continuidade de nosso trabalho.
Um projeto que, afinal, é uma conquista da sociedade brasileira.
Danilo Miranda

Diretor Regional do SESC SP

*

debate dos últimos dias na imprensa brasileira

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080507/not_imp168524,0.php

*

assine agora o manifesto em defesa do SESC

http://www.petitiononline.com/gg1jg2fh/petition.html

e espalhe este endereço para seus amigos

O Anjo Exterminador

miércoles

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Hoje eu não buscarei um sentido oculto (ou mesmo explícito) nas letras das músicas amadas, nem nos trechos dos livros recém-descobertos, nem nas poesias metafóricas, nem nos subsídios do passado, nem nas esperanças do futuro ou na salvação implícita em todo e cada apocalipse, ou na redenção do ser confesso, ou na punição do ser culpado, ou na abstração do ser omisso, nem na perversão do ser bondoso, nem na inocência do ser perverso, na suposta normalidade do senso comum, na verdade depositada (à prazo) nas entrelinhas - como becos sujos, nos detalhes metálicos das calçadas de concreto, nas pizzas de atum deliciosamente requentadas, nos cometários sórdidos mesclados com risadas libertas, nos toques superficiais cheios de desejo, nos retoques da maquiagem borrada ... hoje não vou buscar-te além destas palavras ...

Abstração

martes

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Beira-mar
Zé Ramalho
*
Eu entendo a noite como um oceano
Que banha de sombras o mundo de sol
A aurora que luta por um arrebol
De cores vibrantes e ar soberano
Um olho que mira nunca o engano
Durante o instante que vou contemplar
Além, muito além onde quero chegar
Caindo a noite me lanço no mundo
Além do limite do vale profundo
Que sempre começa na beira do mar
É na beira do mar
Ói, por dentro das águas há quadros e sonhos
E coisas que sonham o mundo dos vivos
Há peixes milagrosos, insetos nocivos
Paisagens abertas, desertos medonhos
Léguas cansativas, caminhos tristonhos
Que fazem o homem se desenganar
Há peixes que lutam para se salvar
Daqueles que caçam em mar revoltoso
E outros que devoram com gênio assombroso
As vidas que caem na beira do mar
É na beira do mar
E até que a morte eu sinta chegando
Prossigo cantando, beijando o espaço
Além do cabelo que desembaraço
Invoco as águas a vir inundando
Pessoas e coisas que vão se arrastando
Do meu pensamento já podem lavar
Ah! no peixe de asas eu quero voar
Sair do oceano de tez poluída
Cantar um galope fechando a ferida
Que só cicatriza na beira do mar
É na beira do mar

Mestre Jonas >>>

jueves

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Mestre Jonas

Zé Rodrix

*

Dentro da baleia mora mestre Jonas

Desde que completou a maioridade

a baleia é sua casa, sua cidade

dentro dela guarda suas gravatas, seus ternos de linho

e ele diz que se chama Jonas

e ele diz que é um santo homem

e ele diz que mora dentro da baleia por vontade própria

e ele diz que está comprometido

e ele diz que assinou papel

que vai mante-lo preso na baleia até o fim da vida

até o fim da vida

dentro da baleia a vida é tão mais fácil

nada incomoda o silêncio e a paz de jonas

quando o tempo é mal, a tempestade fica de fora

a baleia é mais segura que um grande navio

e ele diz que se chama Jonas

e ele diz que é um santo homem

e ele diz que mora dentro da baleia por vontade própria

e ele diz que está comprometido

e ele diz que assinou papel

que vai mante-lo preso na baleia até o fim da vida

até o fim da vida

até subir pro céu

FUGA

martes

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Paraty
foto de w.raeder

*

Era isso nosso amor;

Falava, voltava, trazia-nos

Uma pálpebra baixa, infinitamente distante,

Um sorriso petrificado, perdido

Na relva da manhã;

Uma concha estranha que nossa alma

Tentava decifrar a todo instante.

Era isso nosso amor, progredia lentamente

Tateando entre as coisas que nos envolvem,

Para explicar por que recusávamos a morte

Tão apaixonadamente.

Embora nos agarrássemos a outras cinturas,

Enlaçássemos outras nucas, loucamente

Confundíssemos nosso hálito

Ao hálito do outro,

Embora fechássemos os olhos, era isso nosso amor. . .

Nada mais que o profundíssimo desejo

De suspender nossa fuga.

*

Giórgos Seféris

Visita a Deus

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Retomada busca por padre que voava com balões em SCPublicado em 22.04.2008, às 08h08
Um grupo com mais de 50 pessoas - com o auxílio de um helicóptero da Polícia Militar de Santa Catarina, duas embarcações da Marinha, um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e outro do governo do Paraná, além de vários pescadores voluntários - reinicia, nesta terça-feira (22), a busca ao padre paranaense Adelir De Carli, de 41 anos, que está desaparecido desde a noite de sábado, quando tentava fazer um vôo de 20 horas, sentado em uma cadeira amarrada a mil balões de festas, cheios de gás hélio. O último contato aconteceu por volta das 21 horas de anteontem (20), quando o padre avisou que estava pousando no mar, a cerca de 15 quilômetros a leste das Ilhas Tamboretes, a 5 quilômetros da costa da Ilha de São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina. O que estava prejudicando as buscas na manhã desta terça-feira era uma densa neblina na região para onde provavelmente os balões teriam levado o padre. Assim que a neblina abrandasse, as buscas continuariam com duas embarcações, um avião da FAB e outro do governo do Paraná.
Fonte: Agência Estado

Isabella

lunes

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A expêriencia da impunidade nos assola e nos confunde
Mais um crime ocupa as mídias de todo o País: o caso Isabella.
Mais uma monstruosidade praticada contra outra criança. Por isso o assombro é geral. Mais uma suspeita sobre amaldade de uma mãe e do pai, que, por princípio, não poderiam nem deveriam desejar o mal dos filhos,quanto mais praticá-lo.Papais e mamães do Brasil inteiro estão de sobreaviso e uma questão discreta, de fundo, ronda a todos: seria cada um dos pais que condenam os pais de Isabella capaz do mesmo? A resposta é reflexa: não, de modo algum. Após a resposta automática, uma conclusão igualmente automática se extrai daí, sem dificuldade: então, são eles os monstros e, os outros, matadores de monstros. Uma identidade descartável se constrói em instantes e estão prontos os personagens da trama. Está definido o circuito que
envolve as mídias, boa parte da população e políticos oportunistas. Bela oportunidade para salvaguardar a suprema integridade dos que condenam atrocidades alheias, mas que, em geral,tem enorme dificuldade em reconhecer as próprias atrocidades. É chuva no molhado; porém, é necessário repetir que poucos casos de crianças mortas por homicídio no Brasil nos últimos anos ganharam a notoriedade desse caso. Também crimes contra escravidão de crianças,
torturas e crimes praticados em instituições públicas não recebem o mesmo tratamento e a extrema regularidade com que todas as mídias acompanham o desfecho de casos semelhantes aos de Isabella. O que interessa é o caráter privado e íntimo do crime. Interesse que beira a fofoca.
O estarrecedor número de mortes de crianças entre 0 e 9 anos por homicídio no Brasil entre os anos de 2000 e 2002 revela que 894 homicídios foram praticados nesse período, quase 25 por mês.Um país que mata muito, mata também suas crianças e banaliza a todos. Ainda assim, isso não é osuficiente para explicar as ações e comportamentos em torno do caso Isabella. Ponteado de informações apressadas, julgamentos prévios, veiculação da imagem dos acusados pelas mídias antes da sentença, antecipação de dados da perícia antes do laudo conclusivo; tudo isso deixa uma coisa clara desde o principio: estávamos diante de uma nova novela, cujo interesse nos próximos capítulos faria a delícia da indústria do entretenimento e do cidadão comum, ansioso por saber se ganhou ou perdeu sua aposta. O anseio pela condenação dos pais de Isabella parece responder à urgência em submeter quem quer que seja ao ritual degradante de um novo sacrifício, comuns nos países onde impera a impunidade e onde o linchamento midiático pode preceder o linchamento moral e físico. Enquanto a novela está no ar, deixa-se de cobrar o que é
mais urgente, necessário e imperativo: a geração de provas contundentes, tecnicamente apuradas e com alto grau de confiabilidade e a atitude vigilante e responsável de quem
aguarda e cobra um desfecho justo para o caso. Abrir mão desse foco, seduzidos pela trama emocional que se pode inventar a partir de qualquer fato transformado em tragicomédia, é apostar num País injusto, apelativo e sensacionalista, que não leva a sério seus próprios problemas e suas próprias leis. O mais preocupante é que a excitação se alimenta do medo, do horror e da insegurança. A experiência da impunidade nos assola e nos confunde, é verdade. Ela produz o fantasma da morte à espreita, o horror das almas penadas que foram enterradas sem justiça em nosso país. Para combatê-las, todos se agarram ao primeiro inimigo de consenso e pedem sua imolação. Quando ele se vai, os fantasmas ocupam o seu lugar. Todos os que pediram sangue se reconhecem como verdugos, capazes de também produzir dor e morte. Porém, incapazes de matar fantasmas, as vítimas terão de ser de carne e osso. Quem será a próxima? Se culpados, esses pais serão punidos, e espera-se que o sejam exemplarmente. É esse,em parte, o papel da aplicação da lei. Se inocentes, o estrago já está feito, salvo a realização de
um milagre.
*
Paulo Endo é psicanalista, professor doutor do Instituto de Psicologia da USP e autor do livro A Violência no Coração da Cidade: Um Estudo Psicanalítico / O Estado de São Paulo 20/04/2008

IN THE SEA CAVES

domingo

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Mediterrâneo
#
In the sea caves
there’s a thirst there’s a love
there’s an ecstasyall hard like shells
you can hold them in your palm.
In the sea caves
for whole days
I gazed into your eyesand
I didn’t know you nor did you know me.
#
Translations by
Edmund Keeley and Philip Sherrard
#
Giórgos Seféris (1900-1971), poeta, ensaísta e diplomata grego, ganhador do Prêmio Nobel de
Literatura em 1963. Formou-se em Direito, em 1918, na Universidade de Sorbonne, em Paris. Ocupou diversos cargos na área das relações internacionais, como o de vice-cônsul em Londres e o de cônsul na Albânia. Publicou, entre outros títulos, os livros de poesia Stofi (1931), Mythistorema (1935) e Três Poemas Secretos (1966), além de obras de ficção e crítica literária. Na década de 1970, manifestou-se contrário à ditadura militar instalada na Grécia. Seu funeral, em 1971, foi acompanhado por milhares de pessoas.

Uma Ode à Paulistanidad

martes

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Eduardo Baptistão

*
Ainda pulsa
Ainda é pouco ...
*
Titãs
acirrando inocentes discussões

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*
"Porque a partir do momento em que chamamos, tornamo-nos, somos já semelhantes. A quem? A que? Àquilo de que nada sabemos. E é tornando-nos uma pessoa semelhante que deixamos o deserto, a sociedade. Escrever é ser ninguém. Estar morto, dizia Thomas Mann. Quando escrevemos, quando chamamos, somos já semelhantes. Tentemos. Tentemos quando estamos a sós no nosso quarto, livres, sem qualquer controle do exterior, chamar ou responder por cima do abismo. Misturar-nos à vertigem, à maré imensa dos apelos. Essa primeira palavra, esse primeiro grito, não sabemos grita-lo.
É a mesma coisa que chamar por Deus. É impossível. E faz-se.
MARGUERITE DURAS

Né?

lunes

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Up & Down

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não por isso ...

Up & Down

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NO PRELO

domingo

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Façamos desse banquete interminável

nosso livro?

O editor não impõe prazos

e os direitos serão todos nossos

Como são impossíveis as cópias

não necessitamos Leis

Apenas:

encadernações antigas

restaurações douradas

do pó ao pó (e quanto pó!)

lixas, para as lombadas sujas

álcool, para limpar as capas (sei...)

noites longas, lembranças...

nossas palavras

*

2004

NÃO venha para o mundo de Marlboro

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*

ameaçada espécie rara tanto mais caro e valorizado seu couro envernizado meu esqueleto partiu (se) agora sigo invertebrado na memória e simbologia (vejo) um quadro insinuado (algum) instante roubado no final do teu primeiro ato (sentido?) selvagem e sem rédeas nesse "mundo de marlboro" dois cavalos indomados

A Rata

sábado

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Acordar e viver. A vida dá pistas.

viernes

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A SABER (PRECE LIMINAR)
Em primeiro pender silêncio.
Macerar toadas na cantação.
Cantigas tidas antigas contadas.
Se baixar guarda, vale atenção.
De todo não pousar o gládio.
Lavar a mente.
Seguir o cantono tom perene da encantação.
Colher do peixe a via mínima,
tender da aranha a engenharia,
saber no mundo abismos viscos,
marcar no peito um riso amigo,
sorver do tempo algum quinhão.
Jamais atirar pedras nos vultos.
Evitar o fogo, lanças de chumbo.
É rico o mundo em vau-vastidão.
Contar com o mínimo, contudo,
fugir da lisonja como das pragas.
Aprender das verdades perenes:
(ignoram a beleza as serpentes.
São elas cegas e muito surdas.
Não importa o grito das presas;
O que é nosso não as pertence).
Plantar sementes em terra plena.
Nas paredes não se dão murros.
O mesmo com pontas de facas.
A gratidão é um bem intangível
que se multiplica se cultivado,
e gera frutos iguais dadivosos
tornados maiores se partilhados.
Secreta no peito a terra da gente.
Respeito solene à terra alheia.
Saúda as portas quando na partida
para tê-las abertas nas chegadas.
Acordar e viver. A vida dá pistas.
Avivar o viver. A vida é dar voltas.
*
WALTER RAMOS DE ARRUDA, Poeta ...

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vou girando e ele me diz que estou passada no tempo e que não aguentarei a rotatividade então o que penso? o que penso? vou girando oscilando entre o sarcasmo de um e o escárnio de outro enquanto deparo com uma bunda bem acima da minha imagem dupla então o que quero? o que quero? vou girando e sei que o tempo é pouco e a palavra vã e o silêncio cruel então o que espero? o que espero? olho o céu azul e a manhã que traz da madrugada o friozinho do outono então o que falta? o que me falta? vou girando e tentando expressar aqui o que de fato possa ser antes que eu me esconda novamente no regaço da maré de melancolia suave que tão bem conheço ...

Hino ao Amor +

martes

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Hino ao amor,
Canto da Maya, 1925 escultor açoriano
*
Olhava o feiticeiro para a água e logo esta se agitava e espumegava em ondas bravias e, com o fragor da tempestade, precipirava-se nos abismos da goela hiante, prontos para a tragarem, cúpidos, insaciáveis. Como vencedores triunfantes, erguiam os rochedos de granito as cabeças coroadas, de guarda ao vale, até que o tomova o sol no seu seio paterno e enlaçando-o como os raios aquecia-o com os seus braços de fogo. Acordavam então os mil germes adormecidos sob a areia, solitária, acordavam de longo sono, estendiam as verdes folhas e os caules para a face do bom pai, o sol; tal como crianças a sorrir no berço esmeraldino, repousavam as flores dentro dos botões até que, acordados por sua vez pela luz triunfante, se adornavam com os raios que, para sua alegria, inflamavam todo o prado. No meio do vale, porém, erguia-se um montículo negro, a arfar como o peito do homem, quando a saudade ardente o faz vibrar. Do fundo do abismo subiam vapores que, concentrados em poderosas massas, tentavam obscurecer impiedosamente a face do sol; chamava então este em seu auxílio a tempestade; em ímpetos vaporosos o vento atacava a densa massa e, quando os raios puros tocavam o montículo negro, no supremo êxtase desabrochou maravilhosa rosa de fogo, a abrir pétalas formosas, como lábios sedentos dos beijos de luz.
Pelo vale caminhava uma chama ardente; era o mancebo Phosphurus; viu-o a rosa, e, cheia de ternura, inundada de ânsia implorou:
- Sê meu, para sempre, deslumbrante mancebo. Amo-te, e morrerei se me abandonares!
Falou assim o mancebo Phosphorus:
- Serei teu, bela flor, mas para isso terás de abandonar como filha degenerada pai e mãe; não conhecerás mais as tuas companheiras, tornar-te-ás maior, mais poderosa do que tudo o que até agora tens conhecido. A saudade que exalta agora todo o teu ser e te é benéfica, subdividida em centenas de raios há-de consumir-te e martirizar-te, porque a reflexão acordará os sentidos e a mais alta volúpia que a centelha acorda, a centelha que eu te enoculo é a dor sem remédio em que te afundarás para de novo ressurgires sob outros aspectos. Esta centelha chama-se: o pensamento!
- Ai! - gemeu a rosa -. Não posso ser tua no ardor que me devora? Posso amar-te mais ainda do que neste momento, poderei contemplar-te como agora, se tu pretendes aniquilar-me?
Nesse intante, beijou-a Phosphorus e, como que inundada toda de luz, incendiou-se em chamas donde surgiu um ser estranho que, rapidamente, vagueou pelo espaço infinito, sem se importar nem com o amado nem com as companheira de infância. Agora, lamentava o mancebo a perda da amada; fora o amor à bela rosa que o trouxera ao vale solitário e os rochedos de granito inclinavam as cabeças, cheios de simpatia pela mágoa amorosa de Phosphorus. Fendeu um deles, de meio a meio, e de dentro da pedra soltou-se um alado dragão negro que disse:
- Meus irmãos, os metais dormem lá dentro, mas eu não durmo, estou sempre alerta e pronto para voar em tua ajuda.
Num rápido vôo, alcançou por fim o dragão o ser que irrompera do seio da rosa, trouxe-o ao alto da colina e abrigou-o com as asas; era outra vez a rosa, porém volvera-se em profunda angústia o amor ao mancebo Phosphorus; as flores em volta, que habitualmente dela recebiam alento, murchavam, morriam, tocadas pelo seu bafo venenoso. Revestiu-se o mancebo Phosphorus de uma armadura reluzente, em que vinham espelhar-se milhares de raios de todas as cores, e lutou com o dragão que batia as asas negras contra o arnês de luz, fazendo-o ressoar com um som claro, vibrante, e a esse som reviviam as flores, cercavam como arvores garridas o dragão, cujas forças iam desaparecendo a pouco e pouco, até que se foi esconder vencido, nas profundidades da terra.
Estava livre a rosa; bafejou-a Phosphorus com o desejo ardente do seu amor celestial, e no hino do supremo júbilo, prestaram-lhe homenagem as flores, as aves, sim, até os altos rochedos de granito; todos reconheciam na rosa a rainha do vale.
(...)
O Vaso do Ouro
Ernst Theodor Amadeus Wilhelm Hoffmann
1812

Teu Nome

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Remédios

*

A sirene toca e trás meu coração ardente à tona
por baixo da carne chamuscada,
o sútil vinco da verdade se escancara:
- a crueza da alma -
Dou minha face boazinha
aos tapas de tua suave pelica
A assistência exulta
O rebanho passa
A tarde morre


Teu nome


*

Descobridor dos 7 Mares >>>

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Edward Hopper (American, 1882–1967)

Lighthouse Hill, 1927

*

Uma luz azul me guia

Com a firmeza e os lampejos de farol

E os recifes lá de cima

Me avisam dos perigos de chegar.

Angra dos Reis em Ipanema

Iracema e Itamaracá

Porto Seguro e São Vicente

Braços abertos sempre a esperar.

Pois bem cheguei

Quero ficar bem avontade, na verdade eu sou assim

Descobridor dos 7 mares

Navegar eu quero...

*

Tim Maia

i'm happy hope you're happy too >>>

domingo

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*

time and again i tell myself

i'll stay clean tonight

but the little green wheels are following me

oh no not again

i'm stuck with a valuable friend

i'm happy hope you're happy too

one flash of light
but no smoking pistol
*
Ashes to Ashes
David Bowie

Mary's hour >>>

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As pétalas de rosa que caem no lago são como penas soltas da rosa que subiu ao céu.
*
Ramón Gomez de la Serna

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Ha visto su reflejo en el espejo?

Entro no banheiro na intenção do xixi amigo

São horas de Aves Marias

Mas - Tu - não estás comigo

Ha visto (hoy) su reflejo en el espejo?

Os olhos

Já não são iguais os cabelos

Assusto-me por um segundo

Ha visto su reflejo en el espejo?

O Covil >>>

sábado

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Era a décima chamada ao celular.
Mais uma vez preferiu não atender.
O elevador estancou no 13o. e ela desceu, conferindo o excesso de odores em sua blusa.
Todos novos.
Recomposta, foi recebida com alguma ansiedade e o sorriso aberto.
Depois de certificada a presença (mais intacta na integridade da figura do que na confusão de sentimentos),
o que ainda restava da tensão dissipou-se na atmosfera tremulante da vela comum. Branca.
Nova também era a marca da bebida oferecida, além de uma relativa sensação de estranheza. Ingressa no covil, ela escaneou móveis e acessórios (como de costume)
e deu-se com os edifícios além da ampla janela,
a imaginar quantos seriam no intervalo entre o Vale e o Brahma.
Estava quente a sala. Livrou-se do casaco.
Num determinado momento da conversa,
enquanto tratava de concentrar a atenção no que lhe era dito e olhava fixamente para a chama, ele achou-a bonita.
Sim, mudara. Um alheamento se apossara de si.
Com seu corpo imóvel, o pensamento teimava em sair:
a passear, ora entre os transeuntes da Augusta,
ora na lembrança de um beijo mais longo que lhe fora negado.
A vontade imensa de tocá-lo. O bar da esquina. A indecisão.
As coisas que se mexiam em torno, qual dança urbana, moldura animada.
Ele levara consigo algo que lhe pertencia, tinha certeza.
Ele desceu. Sumiu entre as buzinas e as criaturas da noite, celular em punho.
Entretanto ... permanece.

Teatro

viernes

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*

Eu sei da significância das coisas. Eu sei. Me debulho, mas esse "derramê" todo não será em vão, nem tão trágico quanto de afigura. É que o drama e o teatro estão dentro. Não que as lágrimas não sejam reais. Mas este quarto é definitivamente um cenário e minha mãe perplexa com com minha dor sem explicação aparente (para além da merda de cachorro que pisei no caminho), é personagem destoante. Para ser tragédia definitiva precisava ter casa, ter prumo, ter janela, ter horizonte suicida. Nada disso. Olhos os meus pés. Olho pra cama que daqui a pouco vai ser a verdadeira mãe, acolhedora, dádiva na madrugada segura de sonhos menos densos e mais produtivos, guardiã do amanhã. Com ou sem sol aparente. Ensaio uns passos. O palco esvaziou-se. Desconecto a parafernália cibernética e digo amém. Baixo o pano. Ou cobertor.

Boa noite, moçada.

Ver-de-Pasto

miércoles

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- Não se vá! Uma onça ou bicho do mato podem te pegar.

- E a morte já não é coisa acertada?

- Não falo da morte. Mas de vida.

- Vida? Viver plantado e levando carreira para corrigir o caminho?

- Temos comida, amigos...

- Então, me explique por que, quando chega a noite, ficamos todos enfileirados feito bestas na beira da paisagem? A tristeza em nossos olhos...

- É sonho. Sonhos só servem para confundir...

- Dois estômagos não bastam para digerirem essa realidade.

- Fugir resolve?

- É uma possibilidade...

- De morrer mais cedo.

- Para viver nunca é tarde.

- Deixa de ficar pensando na morte da bezerra. Sim, tenho lá minhas vontades, mas já conheço esse mundinho. Tenho medo de ficar sozinho.

- Solidão é ter fome e não ter boca. O estômago é infinito, ou não? é possível até que se saboreie algo, mas que passa batido por dentro de nós e sai de revestrés como tiro pela culatra. De outra forma, não me encaixo nesse quadrado perfeito. Todos me olham, medindo quanto valho.

- Vale o quanto pesa.

- Quero aprender a voar.

- Gorda assim? E você não tem asas.

- E precisa?

- Claro! Se não precisasse o céu não bastaria e cá na terra só ficava quem fincado estava.

- Nadar boiando de costas é igual a planar voando. A diferença é que se vê tudo de ponta-cabeça.

- A diferença é que na água você pode virar boi-de-piranha.

- Quem tem medo da dor de barriga é melhor não comer. Prefiro morrer voando que pastando. A gente já nasce presa. Nem o próprio nome pode-se escolher.

- E que nome querias ter?

- Nome de pássaro. Sei lá...

E se pôs a correr em direção ao abismo e saltou para o sempre. Finalmente, aprendeu a voar.

- Onde está Mimosa? Pergunta o chefe homem.

- Fugiu.

- É... A vaca foi pro brejo.

*

Aluísio Martins

Ale

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*
Numa tarde cinzenta de Santiago, estávamos em um ponto de ônibus - eu e o Eric - e ele me falou de uma música da qual gostava muito, da Adriana Calcanhoto: Inverno.
Naqueles dias, eu me preparava para partir e meu filho ficaria. Era uma decisão bastante dolorosa que me impunha, assumir uma condição de solidão absoluta,
a aventura (a fuga da dor) a introspecção.
Fechar-me na penitência, na negação de tudo e de todos. Da estrela, inclusive.
E depois, quem sabe? Retomada, perdão, liberdade, futuro, consciência ... paz.
Ele se foi, e eu fiquei no ponto, parada, sentindo o ar gelado, lembrando dessa música
e do que ela significava para mim.
Numa certa medida, o Eric também se encaixa em seu significado.
Sempre achei que aquele bairro - Estación Central - se assemelha a Quilmes, com suas calles arborizadas e cenários outonais. Então, pensava em ti. No reencontro mágico.
Bom de se pensar. Anestésico. Embriagante.
A letra dessa música diz: há algo que jamais se esclareceu - onde foi exatamente que larguei naquele dia mesmo, o leão que sempre cavalguei? Lá mesmo esqueci que o destino sempre me quis só, no deserto, sem saudades, sem remorso, só, sem amarras,
barco embriagado ao mar. Não sei o que em mim só que me lembrar ...

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Parado, congelado

Tenho medo de andar

Se eu for pro lado errado

Posso me distanciar

Do ponto imaginário

Onde você deve estar

Que é pra onde eu me viro

Quando é hora de deitar

*

Samuel Rosa e Rodrigo F. Leão

Auto de Fé >>>

martes

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[43-45] Este rosto que se baixava pudicamente, como era difícil fazê-lo levantar... um véu cobria-o do olhar dos que nunca o tinham visto e até dos que já o tinham visto; vês os abutres ocupados a desvelá-lo? Vês bem? Então, foges? Esta cara que foi o objeto de tanta consumição, que tanto protegias do olhar dos outros, vês como é devorada?

Então, ciumento, já não a proteges?

[46] Vês esta massa informe de carne devorada pelos abutres e pelos outros animais; é este pasto que tu gostas de ornamentar com guirlandas, perfumar com sândalo e cobrir de jóias!

[47] Se te arrepia tanto ver este cadáver imóvel, como não tinhas medo quando a respiração fazia dele um cadáver em movimento?

[48] Quando estava coberto, atraía-te. Agora que o vês nu, provoca-te horror. Se não queres saber dele, porque o acariciavas quando se escondia?

strangelet

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Dennis Overbye / The New York Times


Mais combates no Iraque. Somália no caos. As pessoas neste país não conseguem pagar suas hipotecas e em alguns lugares agora as pessoas não conseguem nem mesmo comprar arroz.Mas nada disso e nem o restante das notícias preocupantes das atuais primeiras páginas importará caso dois homens, que estão impetrando um processo em um tribunal federal no Havaí, estiverem certos. Eles acham que um acelerador gigante de partículas, que começará a fragmentar prótons nos arredores de Genebra neste ano, poderá produzir um buraco negro que significará o fim da Terra -e talvez do universo.Os cientistas dizem que é muito improvável -apesar de terem feito alguma checagem para se certificarem.


Foto de 2007 mostra o acelerador gigante de partículas em uma caverna de Cessy, na FrançaOs físicos do mundo gastaram 14 anos e US$ 8 bilhões construindo o Grande Colisor de Hádrons, no qual a colisão de prótons recriará energias e condições vistas pela última vez a um trilionésimo de segundo após o Big Bang. Os pesquisadores analisarão os destroços destas recriações primordiais em busca de pistas sobre a natureza da massa e de novas forças e simetrias na natureza.Mas Walter L. Wagner e Luis Sancho argumentam que os cientistas no Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern, na sigla em francês), subestimaram as chances de que o colisor possa produzir, entre outros horrores, um minúsculo buraco negro, que, segundo eles, devoraria a Terra. Ou que possa cuspir um "strangelet", que converteria nosso planeta a uma massa densa morta e encolhida de algo chamado "matéria estranha". O processo deles também diz que o Cern não forneceu uma declaração de impacto ambiental de acordo com o exigido pela Lei Nacional de Política Ambiental.Apesar de soar bizarro, o caso toca em uma questão séria que tem incomodado acadêmicos e cientistas nos últimos anos -como estimar o risco de novas experiências inovadoras e a quem cabe a decisão de prosseguir ou não.O processo, impetrado em 21 de março no Tribunal Distrital Federal em Honolulu, busca uma injunção temporária proibindo o Cern de prosseguir com o acelerador até que produza um relatório de segurança e uma avaliação de impacto ambiental. Ele cita o Departamento de Energia dos Estados Unidos, o Laboratório Nacional do Acelerador Fermi, a Fundação Nacional de Ciência e o Cern como réus.Segundo um porta-voz do Departamento de Justiça, que está representando o Departamento de Energia, uma reunião foi marcada para 16 de junho.Por que o Cern, uma organização de países europeus com sede na Suíça, deveria comparecer a um tribunal no Havaí?Em uma entrevista, Wagner disse: "Eu não sei se vão aparecer". O Cern teria que se submeter voluntariamente à jurisdição do tribunal, ele disse, acrescentando que ele e Sancho poderiam ter processado na França ou na Suíça, mas para economizar as despesas eles acrescentaram o Cern ao processo aqui. Ele alegou que a injunção ao Farmilab e ao Departamento de Energia, que ajudam a fornecer e manter os imensos ímãs supercondutores do acelerador, desativaria o projeto de qualquer forma.James Gillies, chefe de comunicações do Cern, disse que o laboratório ainda não tem nenhum comentário sobre o processo. "É difícil entender como um tribunal distrital no Havaí teria jurisdição sobre uma organização intergovernamental na Europa", disse Gillies."Não há nada novo sugerindo que o colisor é inseguro", ele disse, acrescentando que sua segurança foi confirmada por dois relatórios, que um terceiro está a caminho e estará sujeito a uma discussão aberta no laboratório em 6 de abril."Cientificamente, não estamos escondendo nada", ele disse.Mas Wagner não está tranqüilizado. "Eles fazem muita propaganda dizendo que é seguro", ele disse em uma entrevista, "mas basicamente é propaganda".Em uma mensagem por e-mail, Wagner chamou o relatório de segurança do Cern de "fundamentalmente falho" e disse que foi iniciado tarde demais. O processo de revisão viola os padrões da Comissão Européia de adesão ao "Princípio Precautório", ele escreveu, "e foi feito por cientistas que são 'parte interessada'".Físicos de dentro e fora do Cern disseram que vários estudos, incluindo um relatório oficial do Cern em 2003, concluíram que não há problema. Mas para ter certeza, no ano passado o anônimo Grupo de Avaliação de Segurança realizaria uma nova revisão."A possibilidade de um buraco negro devorar a Terra é uma ameaça tão séria que a deixamos como tema de discussão para malucos", disse Michelangelo Mangano, um teórico do Cern que disse fazer parte do grupo. Os outros preferem permanecer anônimos, disse Mangano, por vários motivos. O relatório deles foi entregue em janeiro.Este não é o primeiro processo de Wagner. Ele impetrou ações semelhantes em 1999 e 2000, para impedir o Laboratório Nacional de Brookhavem de operar o Colisor Relativístico de Íons Pesados. O processo foi indeferido em 2001. O colisor, que colide íons de ouro na esperança de criar o que é chamado de "plasma quark-glúon", opera sem incidentes desde 2000.Wagner, que vive na Grande Ilha do Havaí, estudou física e realizou pesquisa de raios cósmicos na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e recebeu doutorado em Direito por aquela que é atualmente conhecida como Universidade do Norte da Califórnia, em Sacramento. Ele posteriormente trabalhou como diretor de segurança de radiação para a Administração de Veteranos.Sancho, que descreve a si mesmo como um autor e pesquisador de teoria do tempo, vive na Espanha, provavelmente em Barcelona, disse Wagner.Os temores apocalípticos têm um longo histórico, mesmo que não ilustre, na física. Em Los Alamos antes do teste da primeira bomba nuclear, Emil Konopinski foi encarregado da tarefa de calcular se a explosão incendiaria ou não a atmosfera.O Grande Colisor de Hádrons é projetado para disparar prótons em energias de 7 trilhões de elétrons-volt antes de colidirem um contra o outro. Na verdade, nada acontecerá no colisor do Cern que não aconteça 100 mil vezes por dia pelos raios cósmicos na atmosfera, disse Nima Arkani-Hamed, um teórico de partículas do Instituto para Estudos Avançados em Princeton.O que é diferente, reconhecem os físicos, é que os fragmentos dos raios cósmicos passam inofensivamente pela Terra quase à velocidade da luz, mas o que quer que seja criado quando os raios baterem de frente no colisor nascerá em relativo repouso para o laboratório, de forma que permanecerá ali e portanto poderia causar caos.As novas preocupações são a respeito dos buracos negros que, segundo algumas variações da teoria das cordas, poderiam surgir no colisor. Esta possibilidade foi muito alardeada em muitos estudos e artigos populares nos últimos anos, mas seriam perigosos?Segundo um estudo do cosmólogo Stephen Hawking em 1974, eles evaporariam rapidamente em um vestígio de radiação e partículas elementares, portanto sem representar ameaça. Mas ninguém já viu um buraco negro evaporar.Conseqüentemente, Wagner e Sancho argumentam em sua queixa, os buracos negros poderiam realmente ser estáveis, e um micro buraco negro criado pelo colisor poderia crescer, no final engolindo a Terra.Mas William Unruh, da Universidade da Colúmbia Britânica, cujo trabalho explorando os limites do processo de radiação de Hawking é citado no site de Wagner, disse que ele não entendeu seu argumento. "Talvez a física realmente seja tão estranha a ponto de buracos negros não evaporarem", ele disse. "Mas realmente teria que ser muito, muito estranha."Lisa Randall, uma física de Harvard cujo trabalho ajudou a alimentar a especulação sobre buracos negros no colisor, apontou em um trabalho no ano passado que buracos negros não seriam produzidos no colisor, apesar de que outros efeitos da chamada gravidade quântica poderão aparecer.Como parte do relatório de avaliação de segurança, Mangano e Steve Giddings, da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, trabalharam intensamente nos últimos meses em um estudo que explora todas as possibilidades destes temidos buracos negros. Eles acham que não há problemas, mas relutam em conversar sobre suas conclusões até passarem pela revisão de seus pares, disse Mangano.Arkani-Hamed disse, em relação às preocupações com a morte da Terra ou do universo, que "nenhuma tem qualquer mérito".Ele apontou que devido à natureza aleatória da física quântica, há alguma probabilidade de quase qualquer coisa acontecer. Há uma probabilidade minúscula, ele disse, do "Grande Colisor de Hádrons criar dragões que possam nos devorar". Tradução: George El Khouri Andolfato
Visite o site do The New York Times

domingo

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Brassai (born Gyula Halasz, 1899 – 1984)

*

Chegava ao ponto de sentir certo prazerzinho secreto, anormal, ignobilzinho quando às vezes, em alguma horrível noite de Petesburgo, regressava ao meu cantinho e me punha a lembrar com esforço que, naquele dia, tornara a cometer uma ignomínia e que era impossível voltar atrás.

Remordia-me então em segredo, dilacerava-me, rasgava-me e sugava-me, até que o amargor se transformava, finalmente, em certa "doçura vil", maldita, e depois, num prazer sério, decisivo! Sim, num prazer, num prazer, insisto nisso.

Dostoievski / Memórias do Subsolo

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Esta é uma longa carta. Observo no celular a hora quebrada: agora lenta. A roda gira como no hidrômetro de uma casa vazia. São 2 camisinhas a menos e isso não me surpreende mais. Já ultrapassei os limites mesquinhos do corpo. Falta ultrapassar os limites do tempo. Esqueço-me da frustração de fazer planos e não realizá-los. Deu-me alegria. Não, você diz, não é bem assim. E tudo é o que é e muito, muito mais. Meu coração sorri sem-vergonha. Sorri um sorriso de pacto. Esta era para ser uma longa carta, mas ficou pequena. Um dia abro a porta ...

Lied Vom Kindsein

jueves

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Remedios Varo
*
Als das Kind Kind war, war es die Zeit der folgenden Fragen:
Warum bin ich ich und warum nicht du?
Warum bin ich hier und warum nicht dort?
Wann begann die Zeit und wo endet der Raum?
Ist das Leben unter der Sonne nicht bloß ein Traum?
Ist was ich sehe und höre und rieche nicht bloß der Schein einer Welt vor der Welt?
Gibt es tatsächlich das Böse und Leute,
die wirklich die Bösen sind?
Wie kann es sein, daß ich, der ich bin, bevor ich wurde,
nicht war, und daß einmal ich, der ich bin, nicht mehr der ich bin, sein werde?
(...)
Als das Kind Kind war,
warf es einen Stock als Lanze gegen den Baum,
und sie zittert da heute noch.
*
Peter Handke

A Roda

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=
Um giro.
+
Outro giro.
+
Novo giro.
+
Último giro do ciclo.
=
4

Na minha testa se anunciou

miércoles

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Gary Oldman
*
Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, o lugar
Pro que eu sou
Eu não quero mais dormir
De olhos abertos me esquenta o sol
Eu não espero que um revólver venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
Que restou
*
Nando Reis

Giorni senza domani e il desiderio di te

martes

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+

A casa d’irene si canta si ride

C’e gente che viene, c’e gente che va

A casa d’irene bottiglie di vino

A casa d’irene stasera si va

+

Casa de Irene / Nico Fidenco

das unheimlichkeit

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Teatro Mágico

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Os Heróis da Estrela

*

Oh, bem nascido, escuta atentamente:
Estás agora no teatro mágico dos heróis e dos demónios
Figuras mitológicas e superhumanas
Demónios, deusas, guerreiros celestiais, gigantes.
Anjos, Bodisadvas, anões, cruzados.
Duendes, demónios, santos, bruxos, extraterrestres.
Espíritos infernais, duendes, cavaleiros e imperadores.
O DeusLoto da dança
O grande homem velho, a divina criatura,
O trampista, o metamorfo,
O domador de feras,
A mãe das deusas, a bruxa.
O deus da lua, o errante.
A totalidade do divino teatro de figuras representando o cume da sabedoria
humana
Não tenhas medo deles
Estão dentro de ti
Tua própria inteligência criativa é o mago reinante sobre eles
Reconhece as figuras como aspectos de ti mesmo
Toda a fantástica comédia se encontra em ti
Não te sintas aderido às figuras
Lembra-te dos ensinamentos
Ainda podes conseguir a liberação

+

Bardo Thodol

Espiação

lunes

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Por trás da treliça,

corpos nus

Confesse ...

*

O inferno tem mil entradas

algumas são bem conhecidas

outras são mais disfarçadas

um dia eu tive a sua idade

o inferno é a Família, o Estado, a Igreja

e as prostitutas na cidade azeda

o inferno é o inimigo, é certo

mas o inferno também é a sua cama

e o diabo é o focinho de quem você ama

a sua sombra é toda ouvidos

entenda-se com suas pernas

aperta o cerco das suas coisas

mas você evita estar no centro do negócio

(o mal é um princípio passivo)

o inferno é no Mappin

percurso / memória / tilt

a morte em vida na cidade azeda

existe uma velha piada

é das que você não conhece

ou se conhece não acha graça

existe uma revolta cega

percurso / percurso / percurso

entenda-se com suas pernas

o inferno tem mil entradas

algumas são pontos turísticos

já outras são inusitadas

as prostitutas, em erro você viu senhoras

e havia sempre uma certa senhora

memória / memória / tilt

um dia eu tive a sua idade

tive garotas mal lavadas, nunca mais

azar o seu

também toquei as campainhas

as do inferno sempre atendem

azar o seu.

*

akira a e as garotas que erraram

O Medo

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*
A chuva lava as ruas.
Observo-a pela janela, entre goles de xingu e o sono.
Carregará consigo restos de lixo, deitará aos esgotos uma miscelânea de
fluídos e dejetos,
(humanos ou não)
proporcionando festa às baratas
e aos ratos,
os mesmos que passeiam alheios aos nossos olhares
(fossemos gatos...)
pelas ruas de Iracema.
*
Uma descrição da peste negra - imagem de terror recorrente - fruto da última
leitura da noite, vem à mente.
O medo das pestes, o mundo das torturas,
as alucinações que senti nos subterrâneos de Paris.
Jamais esqueci.
Não obstante o camping estar num local tão bucólico,
senti naquela noite um horror crescente, intercalando suores e calafrios.
Adormeci apenas quando escutei os primeiros cantos dos pássaros,
aqueles que precedem o amanhecer.
Amanheci.
*
Medo.
Como serão os subterrâneos de minha mente?
Labirínticos, infindáveis, negros?
Que momento é esse, quando retorno ao gosto pelo gótico?
Continuo alinhando-me às descrições e aos sinais porque há um teatro
subjetivo, não sei quanto consciente, conseqüências ditadas.
Há um script a ser seguido,
palavras expressas, palavras impressas,
comando subliminar que proporciona sensações intensas,
diversão garantida,
um trem-fantasma psicológico.
*
Alice todos os dias.

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Johannes Vermeer
Moça com brinco de pérola (1665-1666)
*
“Ela não dá à luz por vias naturais e não concebe pelo coito comum que distende o útero; mas assim que sente a excitação sexual, a obscena fêmea provoca o macho, que ela quer sugar com a boca bem aberta; o macho introduz a cabeça de língua tripla na garganta de sua companheira e, todo em fogo, dardeja-lhe seus beijos, ejaculando por esse coito bucal o veneno da geração. Ferida pela violência da volúpia, a fêmea fecundada rompe o pacto de amor, dilacera com os dentes o pescoço do macho e, enquanto este morre, engole o esperma infundido em sua saliva. O sêmen assim aprisionado custará à mãe a sua vida: quando se to rnarem adultos, estreitos corpúsculos, começarão a arrastar-se em sua morna caverna, a sacudir o útero com as suas vibrações... Como não há saída para o parto, o ventre da mãe é dilacerado pelo esforço dos fetos em direção à luz, e os intestinos rasgados lhes abrem a porta... Os pequenos répteis rastejam em torno do cadáver natal, lambem-no — uma geração órfã ao nascer... Como os nossos partos mentais...”
Gourmont, Rémy de, Lê Latin Mystique.
Les poètes de l’antiphonaire et la symbolique au Moyen Age, Paris, 1913.

Io Pan!

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Aubrey Beardsley
*
“As regras a instituições destinadas a domar o sexo são numerosas, mutantes e contraditórias. É inútil enumerá-las: vão do tabu do incesto ao contrato do matrimonio, da castidade obrigatória à legislação sobre os bordeis. As suas mudanças desafiam qualquer tentativa de classificação que não seja a do mero catalogo: todo o dia aparece uma nova pratica e todo o dia desaparece outra. Contudo, todas elas são formadas por dois termos: a abstinência e a permissão. Nem uma nem outra são absolutas. É explicável: a saúde psíquica da sociedade e estabilidade de suas instituições depende em grande parte do dialogo contraditório entre ambas. Desde os tempos mais remotos as sociedades passam por períodos de castidade ou continência seguidos de outros de desenfreamento. Um exemplo imediato: a quaresma e o carnaval. A Antiguidade e o Oriente conheceram também esse ritmo duplo: o bacanal, a orgia, a penitencia publica dos Astecas, as procissões cristãs de desagravo, o Ramadão dos mulçumanos. Numa sociedade secular como a nossa, os períodos de castidade e permissividade, quase todos associados ao calendário religioso, desaparecem como praticas coletivas consagradas pela tradição. Não importa: conserva-se intacto o caráter dual do erotismo, embora varie o seu fundamento: deixa de ser um mandamento religioso e cíclico para converter numa prescrição de ordem individual. Essa prescrição quase sempre tem um fundamento moral, embora as vezes também se valha da autoridade da ciência e da higiene. O medo da enfermidade não é menos poderoso que o temor perante a divindade ou que o respeito pela lei ética. Aparece novamente, agora despojada da aureola religiosa, a dupla face do erotismo: fascinação diante da vida e diante da morte. O significado da metáfora erótica é ambíguo. Melhor dito: é plural. Diz muitas coisas, todas diferentes, mas em todas elas aparecem duas palavras: prazer e morte.”
Os Reinos de Pã em A Chama Dupla – Amor e Erotismo / Octavio Paz / 1993

domingo

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Y yo estoy acercandome hasta vos / bajo la luna, bajo la luna.

Cable a Tierra

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Cable A Tierra
Fito Paez
Composição: Indisponível
Si estás entre volver y no volversi ya metiste demasiado en tu narizsi estás como cegado de podertira tu cable a tierra.Y si tu corazón ya no da mássi ya no existe conexión con los demássi estás igual que un barco en altamartira tu cable a tierra.Y yo estoy acercándome hasta vosbajo la luna, bajo la luna.Las cosas son asi,tengo el teléfono del freakque está deseoso de volarte la cabeza.En un par de minutos sale el solsi ya no hay nada que anestesie tu dolorsi no llegas, si no alcanzas a vermetira tu cable a tierra.No creas que perdió sentido todono dificultes la llegada del amor;no hables de más, escucha al corazónese es el cable a tierra.Y yo estoy acercandome hasta vosbajo la luna, bajo la luna.

die es selber sind

sábado

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*
Não trago o coração mais puro e belo e vivo
desde que amo? Por que me afeiçoáveis mais
quando era altivo e rude,
palavroso e vazio?
*
Ah! Só agrada à turba o tumulto das feiras;
dobra-se humilde o servo ao áspero e violento.
Só crêem no divino
os que o trazem em si.
*
Hölderlin
tradução de Manuel Bandeira

Journey to the Center of the Earth

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Journey to the Center of the Earth

*

Então foi necessário parar. Reverter o motor, diminuir as doses, arquivar todos os processos. Deixar de querer para si o mundo inteiro. Deixar de contabilizar acessos.

*

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*

Gosto das mulheres graves. Grávidas de paixão e perdão. Não importam quantos amores abortem no meio dos tubos mal ensaiados. Novos amores se explodem em mil partes e partidas. Mudam a cor e a forma dos cabelos do destino. Pintam de vermelho-fogo o corpo das novas promessas. Gozam multiplamente a vida vinda. Belezas contam segredos que somente elas sabem. Quantos foram os amores? Sempre virgens, assim se dizem e assim se sentem e assim são. Usam olhos tingidos de bruxas nas noites de caça, mas despertam verdes, castanhos, azuis, claros como os dias em que dormiram abraçadas e fartas. Alguns me dizem que são estranhas, loucas, incompreensíveis. Eu digo que são tão úteis quanto as belezas das multicoloridas borboletas ou das flores. E do que é naturalmente belo, tudo aceito, tudo acato. Até a repulsa, pois lhe é de direto. De fato.

Aluísio Martins

O Homem de Areia

martes

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Klimt

Death and Life

*

"O que tende a despertar o gozo do olhar é, muitas vezes, mais entrevisto do que visto, como o mistério sagrado, 'através de um véu obscuramente'.

O que não deixa espaço ao imaginário tende a ser sentido como estéril.

Mas aquilo que pode revelar o que está por trás dos véus, o gozo em sua forma mais crua, torna-se fascinação e horror."

*

Maya

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+
this isn't the truth
this isn't right
this isn't love
this isn't life
this isn't real
this is a lie
+
The Cure

Arrastando Maravilhas

lunes

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*
Eu não tenho muito, quase nada
Só a sombra do meu corpo sobre a estrada
Misturada a galhos secos
Eu só tenho becos e perguntas
Minha alma e minha culpa dormem juntas
*
Kali C. / Alexandre Lemos

Os Alquimistas >>>

jueves

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"The First Stage of the Great Work," better-known as the "Alchemist's Laboratory" from Amphitheatrum Sapientiae Aeternae by Heinrich Khunrath
*
Os Alquimistas estão chegando
Jorge Ben Jor

*
Os Alquimistas
Estão chegando
Estão chegando
Os Alquimistas
Os Alquimistas
Estão chegando
Estão chegando
Os Alquimistas
Eles são discretos
E silenciosos
Moram bem longe dos homens
Escolhem com carinho
A hora e o tempo
Do seu precioso trabalho...
São pacientes, assíduos
E perseverantes
Executam
Segundo as regras herméticas
Desde a trituração, a fixação
A destilação e a coagulação...
Trazem consigo, cadinhos
Vasos de vidro
Potes de louça
Todos bem e iluminados
Evitam qualquer relação
Com pessoas
De temperamento sórdido
De temperamento sórdido
De temperamento sórdido
*

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Ofélia
El Laberinto del Fauno
*
São dias de instabilidade meteorológica.
As chuvas vem anunciando o outono, dando à cidade um aspecto sombrio e umido.
Mas tento atribuir características solares à minha existência: medito.
Penso nos laços de interpendência e procuro manter-me impassível diante do caos que se avoluma, como um feto indesejado.
Intuitivamente sei do rompimento.
Não há como florescer uma planta que está doente na raiz.
E o medo do desconhecido mistura-se ao prazer do novo.
O estômago reclama.
Vivo noites insones, pisoteando pensamentos aleatórios e desagradáveis: meros parasitas.
Hoje chorei na chuva, chorei junto com o céu e num determinado momento éramos - eu e o céu - uma só coisa: dor diluída,
fulgaz,
fluída,
fragmentada,
expurgada
e redimida.
Como era de se esperar, a água não infiltrou-se em minha pele.
Assim como a mágoa não permanecerá.
E o estômago agradece.

Especiarias

miércoles

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Devemos ver no corpo uma barca que vai e que vem.

Que o corpo vá e venha segundo a tua vontade de conduzir os seres à sua finalidade.

Bodhicaryavatara - Shantieva

*

Por esses dias

Saio dessa trilha

E faço a barca andar

Desse oceano

Vou para as Índias

Noutro elefante

Traficar o que se quer

Especiarias

Eu faço fé e compras

Num mercado de ilusões

*

Valdo Aderado

Dois Rios

martes

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Skank
Composição: (samuel Rosa - Lô Borges - Nando Reis)
O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão
*
O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos
*
Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer:
Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção
*
O sol é o pé e a mão
O sol é a mãe e o pai
Dissolve a escuridão
*
O sol se põe se vai
E após se pôr
O sol renasce no Japão
*
Eu vi também
Só pra poder entender
Na voz a vida ouvi dizer:
Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção
*
E o meu lugar é esse
Ao lado seu, meu corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações

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Fortaleza / 2003
*
Tenho pensado em não mais pensar
porque o pensamento pode alterar o rumo dos fatos
conduzindo-os ao sabor dos seus desejos
forçando a guarda com a intensidade de seus assédios
afrontando a ordem com a insistência de seus passos
*
Quando, enfim, volto ao dia e seus humores
percebo que o caminho trilhado não é o mesmo do conto
que apesar de paralelas, nossas vidas não se fundem
e que dei cores vivas a um projeto inacabado
fazendo – minha! – a tarefa do acaso.
*
Hoje li:
“é em momentos raros depois de ter sonhado
com o raro entretenimento de teus olhos
quando (ficando aquém da ilusão) tenho pensado
*
na tua singular boca que meu coração tornou sábia
em momentos quando a cristalina escuridão sustenta
*
a verdadeira aparição do teu sorrir
(foi por entre lágrimas sempre) e o silêncio molda
essa estranheza qua ainda há pouco pude sentir”
+
e e cummings
e obrigada, maninho!

Agora eu sei ...

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*
Do muçulmano a Meca
Do santo a compaixão
Você é meu descaminho
É minha direção
*
Skank

sábado

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VOCÊ É RESPONSÁVEL PELO QUE CATIVA
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.

And the cotton is high ...

viernes

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Summertime
George Gershwin, Ella Fitzgerald & Louis Armstrong
*
Summertime,
And the livin' is easy
Fish are jumpin'
And the cotton is high
Your daddy's rich
And your mamma's good lookin'
So hush little baby
Don't you cry
One of these mornings
You're going to rise up singing
Then you'll spread your wings
And you'll take to the sky
But till that morning
There's a'nothing can harm you
With daddy and mamma standing by

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07/03/2008 - 13h08
Traços de lago habitável são descobertos em Marte
Da Efe
Cientistas da Universidade do Arizona identificaram uma cratera em Marte com aparentes traços do que pode ter sido um plácido lago habitável.A cratera Holden, com uma base de grandes rochas do tipo breccia, aparece rodeado interiormente por anéis formados por camadas de sedimentos que formam as margens do que aparentemente foi um plácido lago, segundo divulgaram hoje os pesquisadores, que pertencem ao departamento de Ciências Planetárias da Universidade do Arizona.As rochas breccia já indicam presença de água: são aglomerações de fragmentos menores cimentadas por minerais dissolvidos."A cratera Holden tem uma das megabreccia melhor expostas de Marte", disse o professor Alfred McEwen, que participou da pesquisa.A megabreccia e os sedimentos, principalmente de argila, "contêm minerais que se formam na presença de água e marcam ambientes potencialmente habitáveis"."Este local seria excelente para enviar um veículo robô e trazer de volta uma mostra; representaria um grande avanço na compreensão da dúvida sobre se Marte pode suportar vida", diz o pesquisador.Segundo os especialistas em Marte, blocos de pedra de até 50 metros de diâmetro se dispersaram quando um meteorito formou a cratera, rochas que mais tarde, aparentemente por causa da água, formaram a megabreccia.Pelo menos 5% do peso dos sedimentos da parte de cima da megabreccia são formados por argilas, segundo os pesquisadores."A origem destas argilas é incerta", afirma outro pesquisador, John Grant, do Museu Smithsoniano Nacional do Ar e do Espaço. "Mas se estivéssemos vendo imagens da Terra e buscássemos lugares propícios para serem habitados, buscaríamos locais como esse".Tudo isso, segundo o estudo da universidade, teria permanecido escondido se não fosse o desmoronamento das paredes da cratera, incapazes de suportar a pressão da água, em um volume calculado em 4 mil quilômetros cúbicos "O volume de água que fluiu durante essa enchente teve que ser espetacular, pois foi capaz de movimentar blocos de pedra do tamanho de um campo de futebol a mais de 70 ou 80 metros de distância", afirma Grant

LONGAS CARTAS PRA NINGUEM >>>

jueves

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René Magritte - Le Mal Du Pays (1940)
+
Amo tudo que vem de si.
Só não sei como amá-lo corretamente,
em qual padrão,
como dar cores/texturas aos sentidos depois de tanto tempo?
Nunca camuflamos a emoção de nossos reencontros
porque nossa estranheza era autêntica.
Enganam-se aqueles que depois de longos períodos
simulam fervorosos abraços,
enquanto digerem na direção oposta
- o olhar posto no horizonte das causas internas -
um reconhecimento necessário.
Tempo, tempo, tempo, tempo.
Nem por isso, amei-o menos.
Nem por isso, consegui esquecê-lo.
O tempo constrói muralhas,
mas o tempo não existe.
*
Você sabe que espreito nas entrelinhas.
Espero que saiba que um dia me libertarei das angústias e incertezas.
Olhar minha sombra sob as lâmpadas da noite ou sob a luz do sol e ver-me ali,
frente / verso,
claro / escuro,
na junção das oposições que compõe o UNO e o NADA,
afinal.
O passo firme numa figura de traços femininos.
Quis que a tua voz fosse a voz do meu Mestre.
Quis que teus membros fossem os galhos da árvore onde pousou solitário,
certa noite.
Talvez o princípio do teu rumo a um destino menos estúpido.
Saiba que o admiro.
E todo o resto que eu (ainda) não sei.
*
Net

Estática

martes

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Kat
*
vejo ao longe
tua boca espantosa
espantalhos
que espantam corvos
com seus corpos calmos
pelos campos esparsos
da memória

The ghosts of my life >>>

domingo

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JAPAN
When the room is quiet
The daylight almost gone
It seems there's something I should know
Well, I ought to leave
But the rain it never stops
And I've no particular place to go

Just when I think I'm winning
When I've broken every door
The ghosts of my life
Blow wilder than before
Just when I thought I could not be stopped
When my chance came to be king
The ghosts of my life
Blew wilder than the wind

Well, I'm feeling nervous
Now I find myself alone
The simple life's no longer there
Once I was so sure
Now the doubt inside my mind
Comes and goes, but leads nowhere

OBRAS NO CANTEIRO CENTRAL

viernes

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Uma grande estrutura circular

construída há 5.500 mil anos foi descoberta nesta semana no Peru.

A construção seria uma das mais antigas das Américas.

O local foi descoberto por arqueólogos peruanos e alemães

debaixo de outra ruína,

conhecida como Sechin Bajo,

em Casma, a 370 quilômetros da capital, Lima.

*

BBC Brasil

Sete Sapatos

miércoles

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*
O escritor moçambicano Mia Couto, disse um dia:
"Não podemos entrar na modernidade com o actual fardo de preconceitos.

À porta da modernidade precisamos de nos descalçar.

Eu contei Sete Sapatos Sujos que necessitamos deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher, e sete, é um número mágico:
Primeiro Sapato – A ideia de que os culpados são sempre os outros;
Segundo Sapato – A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho;
Terceiro Sapato – O preconceito de que quem critica é um inimigo;
Quarto Sapato – A ideia de que mudar as palavras muda a realidade;
Quinto Sapato – A vergonha de ser pobre e o culto das aparências;
Sexto Sapato – A passividade perante a injustiça;
Sétimo Sapato – A ideia de que, para sermos modernos, temos de imitar os outros."

Apagão Mundial no dia 29 de Fevereiro de 2008

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Apagão Mundial no dia 29 de Fevereiro de 2008.

Banquete >>>

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Santa Ceia / Da Vince
*
Anoitece.
Hoje pareço bicholouco.
Já conferi no espelho as tais insanidades.
Experimentei na loja a chita apreciada na vitrine.

Ficou feio
Conferi teus olhos nos olhos bascos da santa.

Sorriam...
Confesso que mesmo aos poucos desço aos poços,
Que dou de graça a lama aos porcos,
Que bebo água benta em fontes falsas.
Mas o pentagrama,

na calçada,

sempre aponta o mesmo caminho.
E n (o) culto fui entregar-me aos arrepios.
(estão nas missas aos domingos e riem fácil dos desmodismos /AM)
Arial é uma fonte,
Ariel, um anjo.

*

Fortaleza / 2004

Только этого мало.

domingo

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Владимирская Богоматерь
*

Вот и лето прошло,
Словно и не бывало.
На пригреве тепло.
Только этого мало.

Всё, что сбыться могло,
Мне, как лист пятипалый,
Прямо в руки легло.
Только этого мало.

Понапрасну ни зло,
Ни добро не пропало,
Всё горело светло.
Только этого мало.

Жизнь брала под крыло,
Берегла и спасала.
Мне и вправду везло.
Только этого мало.

Листьев не обожгло,
Веток не обломало...
День промыт, как стекло.
Только этого мало.

*

O Verão partiu
E nunca devia ter vindo.
Será quente o sol
Mas não pode ser só isto.

Tudo veio para partir,
Nas minhas mãos tudo caiu,
Corola de cinco pétalas,
Mas não pode ser só isto.

Nenhum mal se perdeu,
Nenhum bem foi em vão,
À luz clara tudo arde
Mas não pode ser só isto.

Agarra-me a vida
Sob a sua asa intacto,
Sempre a sorte do meu lado,
Mas não pode ser só isto.

Nem uma folha se consumiu
Nem uma vara quebrada…
Vidro límpido é o dia,
Mas não pode ser só isto.

*
Arsenii Aleksandrovich Tarkovskii
Арсений Александрович Тарковский
(1907 - 1989)

viernes

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Cássia Eller
*
Relicário
Cássia Eller / Composição: Nando Reis

É uma índia com colar
A tarde linda
Que não quer se pôr
Dançam as ilhas sobre o mar
Sua cartilha tem o "A"
De que cor?...

Que está acontecendo?
O mundo está ao contrário
E ninguém reparou
O que está acontecendo?
Eu estava em paz
Quando você chegou...

E são dois cílios em pleno ar
Atrás do filho vem o pai e o avô
Como um gatilho sem disparar
Você invade mais um lugar
Onde eu não vou...

O que você está fazendo?
Milhões de vasos
Sem nenhuma flor
O que você está fazendo?
Um relicário imenso deste amor...

Corre a lua, porque longe vai?
Sobe o dia tão vertical
O horizonte anuncia
Com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade
Por essa noite...

Porque está amanhecendo?
Peço o contrario
Ver o sol se por
Porque está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios
Quando você se for...

Quem nesse mundo
Faz o que há durar
Pura semente dura
O futuro amor
Eu sou a chuva
Prá você secar
Pelo zunido da suas asas
Você me falou...
O que está você dizendo?
Milhões de frases
Sem nenhuma cor, oh! oh! oh!
O que você está dizendo?
Um relicário imenso deste amor...
O que você está dizendo?
O que você está fazendo?
Porque que está fazendo assim?
Está fazendo assim!...

Quando a merda vira opção

jueves

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Lula Marques/Folha Imagem

*

Não sei se estou no mesmo lugar que o seu, mas é parecido. Eu, ao meu jeito, escolhi a opção de meter a mão da massa, às vezes suja de cocô, "às vezes." Mas minha cabeça, não, meu compromisso, não.

Ciro Gomes

http://midiacon.com.br/materia.asp?id_canal=3&id=7801

http://www.umavidapelavida.com.br/

http://www.integracao.gov.br/saofrancisco/

Depois do ultimo canto

miércoles

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É cedo ou tarde demais, pra dizer Adeus, pra dizer Jamais ... Titãs

Olho Mágico - UOL Últimas Notícias - Olho Mágico - Álbum de Fotos

jueves

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Olho Mágico - UOL Últimas Notícias - Olho Mágico - Álbum de Fotos

viernes

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A Lua e a casa incendiada
foto de w.raeder
*

Cansei de duvidar.

Não há certeza alguma.

A não ser a certeza de que o mar voltará a conciliar uma cheia da Lua

com uma vazante de si,

abrindo em seu ventre um enorme círculo de areia,

Porto breve.

Naquele instante,

soube que a verdadeira estabilidade é a lealdade à sua crença.

Àquela mais íntima,

que por vezes também revela o seu próprio círculo de areia,

igualmente breve.

A areia permanece a maior parte do tempo oculta.

Não como matéria-prima de frágeis castelos,

mas Sim composta de pequeninos e infinitos fragmentos de imponentes rochas,

heranças ancestrais,

compondo o único solo possível: transponível e familiar!

Pergunte a seus pés ...

Mercy Street - LINK

domingo

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Paraty
foto de w.raeder
*
looking down on empty streets, all she can see
are the dreams all made solid
are the dreams all made real
all of the buildings, all of those cars
were once just a dream
in somebody's head
she pictures the broken glass, she pictures the steam
she pictures a soul
with no leak at the seam
lets take the boat out
wait until darkness
let's take the boat out
wait until darkness comes
nowhere in the corridors of pale green and grey
nowhere in the suburbs
in the cold light of day
there in the midst of it so alive and alone
words support like bone
dreaming of mercy st.
wear your inside out
dreaming of mercy
in your daddy('s arms again
dreaming of mercy st.
'swear they moved that sign
dreaming of mercy
in your daddy's arms
pulling out the papers from the drawers that slide smooth
tugging at the darkness, word upon word
confessing all the secret things in the warm velvet box
to the priest-he's the doctor
he can handle the shocks
dreaming of the tenderness-the tremble in the hips
of kissing Mary's lips
dreaming of mercy st.
wear your inside out
dreaming of mercy
in your daddy('s arms again
dreaming of mercy st.
'swear they moved that sign
dreaming of mercy
in your daddy's arms
mercy, mercy, looking for mercy
mercy, mercy, looking for mercy
Anne, with her father is out in the boat
riding the water
riding the waves on the sea
*
PETER GABRIEL

Pensamento

sábado

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Eu penso assim:

O caminho deve ser suave a atento. Nunca excitado, nunca apressado. Deve ser constante.

Para que possamos sorver a essência dos valores e símbolos que nos são colocados, exercitando os sentidos, a dinâmica do corpo, a observação dos fatos, sem crítica ou julgamentos, sem violência, sem tristezas desnecessárias.

Estar dentro. Estar no centro. Estar, apenas.

Caminhando, na disciplina do passo. Caminhando, com o olhar posto na linha recta do horizonte. Até alcançarmos a próxima ilha: Oásis ou morada de serpentes. Ou ambos.


Penso também que a palavra é livre:

Com ela tudo podemos, como nos sonhos. Ela é nossa cartase, através da palavra canalizamos o fluxo divino, expurgamos os pensamentos demasiadamente obsessivos, damos vestimenta aos sentimentos, mascaramos e despimos a verdade, aleatória e alternadamente (como no Carnaval...). E esta, a verdade, sempre estará implícita nas entrelinhas.


Nos intervalos.


Nas sílabas tónicas. No esquecimento. Na ausência do símbolo que a comporte. No local onde ela estava bem ali - parada, até há pouco - a observar-nos. Um desvio para a olhar e escapa-nos. Como sombra. Como bicho do mato. Selvagem e inominável. Sedutora.

miércoles

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“...e é impróprio dizer que há três tempos: passado, presente e futuro.

Talvez fosse mais correto dizer:

há três tempos:

o presente do passado, o presente do presente e o presente do futuro.

O presente do passado é a memória,

o presente do presente é a percepção direta,

o presente do futuro é a esperança”

*

Santo Agostinho / Confissões

Ir & Vir

viernes

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DEEP

Quis que fosse Azul (e não verde).

Porque o sangue dele é Azul!

Porque é Azul que anda meu reino.

Se estas pessoas são partes de sonhos teus, em que medida nos corresponde e em qual medida andam por si? Recordo-me de “Matrix”, da realidade ficcional, filosofia emprestada, psicologia imitada, Messias e referências cristãs... Da teoria da conspiração fechada à chave de ouro, (Capitão) Gancho (Deep) de nOSSOS desejos... Morenos à parte e afastando a libido de Loba, volto a Bordo, ao Bardo e as questões que me “tragam” a Terra, de volta ao “Capo” da transcendência... Qualquer coisa, Martinis de segunda, canetas urgentes adquiridas em camelôs de primeira, mendigos en negro y blanco, pessoas que passem ao largo do senso comum.

O homem-pedra disse que tenho cor. E sardas. E tudo o mais necessário para pleitear ao cargo de primeira dama do Mano Cornífero. Ir & Vir. Lilith esteve fadada a isso. Enfadonha condição. Dizem que Deus nos condenou!

Mas é Ir & Vir quando lhe apeteça, nos desenlaces, nos vínculos envelhecidos, na necessidade de compartilhar esse novo espaço no abismo ou ainda por simples rebeldia.

2008

jueves

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Passando os rascunhos a limpo,
desde já
Agradeço as oportunidades.
Obrigada!

Carnavália

viernes

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Para-ty
Luz Radiante.

Gran irradiación de energía.

Necesidad de procesar el pasado y superar.

Y expandir, y expandirse.

Necesidad de nuevos equilibrios, y nueva adaptación.

El mundo como espejo es inevitable para el ego,
el mundo refleja.

El desafío, las fobias, las resistencias, la estructuración
de nuevos equilibrios de comunicación y de poder.

El camino no es obvio, y no depende de la voluntad.

El movimiento es hacia el presente, y en el presente,
todo desaparece y se transforma, incluyendo el espejo.

Karma y superación, renovación, liberación y responsabilidad.

No hay más que ego.

No hay más que ego,
a menos que estemos al tanto.

jueves

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Agora, livro meu, vai, vai para onde o acaso te leve

Paul verlaine


Um livro é uma janela pela qual nos evadimos
Autor: Green , Julien


Uma vez declarada a guerra, é impossível deter os poetas.

A rima ainda é o melhor tambor
"A Guerra de Tróia não Acontecerá" Giraudoux


Se um homem marcha com um passo diferente do dos seus companheiros,

é porque ouve outro tambor
Thoreau ,

Boas Sementes

martes

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Casa das Rosas
foto de W.Raeder

Gira Girou

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Ai se alguém segura o leme

Dessa nave incandescente

Que incendeia minha vida

Que era viajante lenta

Tão faminta da alegria

Hoje é porto de partida ...

*

Ah! Vira virou

Meu coração navegador

Ah! Gira girou

Essa galera ...

*

Kleiton Ramil

Luca

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18 de dezembro de 1992

O v O

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DIA 1,
EL DIA DE "EL MAGO"
------------------------------------------------------
Todo cambia.
La Gran Rueda anuncia un nuevo inicio.

Olhar 43

lunes

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Poema

viernes

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*

Composição: Cazuza / Frejat

*
Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo

Eu acordei com medo e procurei no escuro

Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo

Porque o passado me traz uma lembrança

Do tempo que eu era criança

E o medo era motivo de choro

Desculpa pra um abraço ou um consolo

Hoje eu acordei com medo mas não chorei

Nem reclamei abrigo

Do escuro eu via um infinito sem presente

Passado ou futuro

Senti um abraço forte, já não era medo

Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim

De repente a gente vê que perdeu

Ou está perdendo alguma coisa

Morna e ingênua

Que vai ficando no caminho

Que é escuro e frio mas também bonito

Porque é iluminado

Pela beleza do que aconteceu

Há minutos atrás ...

Este Post se autodestruirá em 24 horas

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*

Vês ! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão - esta pantera -

Foi tua companheira inseparável!

*
Acostuma-te à lama que te espera !

O Homem, que, nesta terra miserável,

Mora entre feras, sente inevitável

Necessidade de também ser fera

*
Toma um fósforo.

Acende teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro

A mão que afaga é a mesma que apedreja

*
Se a alguém causa ainda pena a tua chaga,

Apedreja essa mão vil que te afaga

Escarra nessa boca que te beija
*
Augusto dos Anjos

sábado

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O Mago Jeff-kun

*

"EL DESPERTAR DE ENTRE LOS MUERTOS"

DIA 1,

EL DIA DE "EL MAGO"

**************


La oscuridad abismal se redime en un niña inocente.


*************


Una niña permite que un anciano-a resucite convertido
en la inocencia de un niño que despierta por primera vez,
libre.


*************


Una paloma.

Una copa, contacto real con la naturaleza de la realidad.



*************


La inescrutable levedad de un milenario símbolo femenino,
de la Divinidad.



Y caminar sobre las aguas.


Un espejo personal, y mundial...una espada que refleja.

Un Juicio a sí mismo-a.


Y un Juicio a si mismo-a que libera del pasado.


************


Esto es Ciencia y Devoción.

Devoción porque está en juego
nuestra integración emocional al mundo.


Ciencia puesto que, lo que permite el tránsito, el conocimiento,
y la libertad, es un movimiento interior que hay que hacer
posible.


Y el único maestro-a y responsable de esto, es cada uno.


Lo que hace posible el cambio, es un movimiento específico
de las energias síquicas.



Tú, yo y todos, somos herederos de esta posibilidad, y
cualquier humilde avance es más valioso que el símbolo.

Pero no, mejor no hablar de ciertas cosas

viernes

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Un tornado, un tornado, un tornado...
Un tornado arrasó a mi ciudad y a mí jardín primitivo.
Un tornado arrasó a tu ciudad y a tu jardín primitivo.
Pero no, mejor no hablar de ciertas cosas
no, mejor no hablar de ciertas cosas.

A Hora do Diabo ...

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Pacino

(...)
- É a lei da vida, minha senhora. O corpo vive porque se desintegra, sem se desintegrar demais. Se não se desintegrasse segundo a segundo, seria um mineral. A alma vive porque é perpetuamente testada, ainda que resista. Tudo vive porque se opõe a qualquer coisa. Eu sou aquilo a que tudo se opõe. Mas, se eu não existisse, nada existiria, porque não havia a que opor-se, como a pomba do meu discípulo Kant, que, voando bem no ar leve, julga que poderia voar melhor no vácuo. A música, o luar e os sonhos são as minhas armas mágicas. Ma por música não deve entender-se só aquela que se toca, se não também aquela que fica eternamente por tocar. Por luar, ainda, não se deve supor que se fala só do que vem da Lua e faz as árvores grandes perfis; há outro luar, que o mesmo Sol não exclui, e obscurece em pleno dia o que as coisas fingem ser. Só os sonhos são sempre o que são. É o lado de nós em que nascemos e em que somos sempre naturais e nossos.

- Mas, se o mundo é ação, como é que o sonho faz parte do mundo?

- É que o sonho, minha senhora, é uma ação que se tornou idéia; e que por isso conserva a força do mundo e lhe repudia a matéria, que é o estar no espaço. Não é verdade que somos livres no sonho?

- Sim, mas é triste o acordar...

- O bom sonhador não acorda. Eu nunca acordei. Deus mesmo duvido que não durma. Já uma vez ele me disse...

Ela olhou-o de sobressalto e teve subitamente medo, uma expressão do fundo de toda a alma que nunca sentira.

- Mas afinal quem é o senhor? Porque está assim mascarado?

- Respondo, numa só resposta, às duas perguntas: não estou mascarado.

- Como?

- Minha senhora, eu sou o Diabo.

(...)


Fernando Pessoa / A Hora do Diabo

jueves

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Só As Mães São Felizes >>>

viernes

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Dali
*
Só As Mães São Felizes
Frejat / Cazuza
*
Você nunca varou
A Duvivier às 5
Nem levou um susto Saindo do Val Improviso
Era quase meio-dia
No lado escuro da vida
*
Nunca viu Lou Reed
"Walking on the wild side"
Nem Melodia transvirado
Rezando pelo Estácio
*
Nunca viu Allen Ginsberg
Pagando michê na Alaska
Nem Rimbaud pelas tantas
Negociando escravas brancas
*
Você nunca ouviu falar em maldição
Nunca viu um milagre
Nunca chorou sozinha num banheiro sujo
Nem nunca quis ver a face de Deus
*
Já frequentei grandes festas
Nos endereços mais quentes
Tomei champanhe e cicuta
Com comentários inteligentes
Mais tristes que os de uma puta
No Barbarella às 15 pras 7
*
Reparou como os velhos
Vão perdendo a esperança
Com seus bichinhos de estimação e plantas?
Já viveram tudo
E sabem que a vida é bela
*
Já reparou na inocência
Cruel das criancinhas
Com seus comentários desconcertantes?
Adivinham tudo
E sabem que a vida é bela
*
Você nunca sonhou
Ser currada por animais
Nem transou com cadáveres?
Nunca traiu teu melhor amigo
Nem quis comer a tua mãe?
*
Só as mães são felizes...

Pra você >>>

jueves

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Assombro Exemplar >>>

martes

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(...)
Contraditória a idéia de parar
face a qualquer fatal contentamento:
não conheço uma lágrima sequer
capaz de resolver secura ao vento
ou dar eternidade a quem a quer.
*
Maria Alberta Menéres
O jogo dos silêncios

Abraça o Conteúdo e Não a Forma

domingo

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XCVIII
Às vezes o homem repudia a mulher, ou a mulher muda de amante, por se ter desiludido. Consequências do comportamento leviano quer de um quer do outro. Porque só é possível amar através da mulher e não a mulher. Através do poema e não o poema. Através da paisagem entrevista do alto das montanhas. E a licenciosidade nasce da angústia de não se conseguir ser.

Quando uma pessoa anda com insónias, volta-se e torna-se a voltar na cama, à procura do fresco ombro do leito. Mas basta tocá-lo, para ele se tornar tépido e recusar-se. E ele procura noutro sítio uma fonte durável de frescura. Mas não consegue dar com ela, porque mal lhe toca a provisão esvai-se. O mesmo se passa com aquele ou com aquela que se fica no vazio dos seres. Não passam de vazios os seres que não são janelas ou frestas para Deus. É por isso que, no amor vulgar, só amas o que te foge.

De outra maneira, vês-te saciado e descoroçoado com a tua satisfação.

Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"

*
XCVII
(... ) Não quero que seja imposto um dogma.

Dado que combati todos os dogmas do mundo - desde os católicos aos psicológicos e aos psicanalíticos - a fim de estabelecer a minha própria visão feminina, não vou certamente aceitar que me digam como me tornar emancipada (...) "

ANAÏS NIN - 1972

DRAGÃO / 23 de Agosto >>>

jueves

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Dragão do Mar / Fortaleza
#

Há uma mira
entre arbustos e portais

Há uma órbita
e uma reentrada na atmosfera

Andamos em círculos
mas não nos encontramos

Há uma história
cheia de símbolos e sinais
e apenas um exemplar de si

Refaço o caminho

ZOO

martes

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Por que negar?
Meu arado vai seguindo à frente do teu carro de touros.
Percebe-se - ao longe - a chiadeira das rodas.
No caminho, enormes cupinzeiros
e sapos que comemoram - em bloco - o carnaval das chuvas.
E as serras vão azulando esses novos horizontes.
Sinto-me como um macaquinho de guizos.
Bolerinho vermelho, botões dourados.
Pulando, pulando ao teu redor.
Na perninha - uma corrente imperial.
Ainda assim, a corrente é feita de elos.
Ainda assim, quero fugir dessa escravidão.
Por vezes, eu penso na rampa.
Sim - penso mesmo em deslizar...
Observo os felinos, chego a invejar-lhes a elegância.
O desapego pela assistência.
PitPig submerge.
Eu também.
*

Porque está amanhecendo??? >>>

sábado

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*
A paz necessaria para prosseguir nos dias. Como o bizarro trenzinho de sons eletronicos mônicas cebolinhas carregado de crianças pessoas turistas que encontro nas tardes de beira mar. Embarcar nesse trem e ficar ali sorrindo pra fora pra dentro sentindo-me mais a bunda que senta do que a mente que pensa: Ausência? Cadencia do mar ...
Mas minha mente não cala, o pensamento não cessa. E se cala, outras percepções a despertam.
Seria necessario retirar todas as coisas de casa. Ainda assim teria os ruidos externos. Seria necessario morrer ... E ainda assim...
Meus ciclos não coincidem com o dos dias e das noites. Não sei como quando isso termina.

Ponto final é uma coisa que desconheço porque sempre bebo na fonte do passado, meu arquivo pessoal pouco organizado mas cheio de referencias preciosas. E todas as referencias me interessam. Eu o processo, liquidifico e sirvo uma pasta de bom paladar mas de aparencia duvidosa.

Não tenho pretensões nem planos de carreira. Mas tenho um estomago que concentra em dor aguda todos os movimentos de minhas mãos, a incerteza do futuro, a falta de uma ação mais energica ou a noção senso comum de realidade que me falta enquanto a loucura em fraldas acena e faz caretinhas na janela.

Seria isso a poesia? Assim são os poetas?
E voce? não consigo simplesmente não sei como dizer-te coisas que para outras pessoas diria na maior tranquilidade. Sem dedos. Minha voz quando falo contigo sai embargada no receio de parecer o que não é. E o que é? Mesmo que eu tivesse um roteiro em mãos, ainda assim haveria a entonação que poderia denunciar a intenção. Que intenção?
Vê que tonta sou, estou chorando...

O que é? O que é? O que é que parece tão sublime e tão distante? (...)
*
*
*

viernes

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Se abre un nuevo Canal.
Y este canal te abre el corazón y te funde con todo lo que existe.
Expansión y nueva edad.

Da palavra

jueves

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*
"Não adianta espalhar flores pela casa quando o inverno é semântico.Não adianta mudar o título do texto quando o problema é a falta de assunto.Não adianta usar de artifícios quando a verdade se ausenta.Não adianta pintar um outono e tombar folhas secas, quando a vagina só ficará molhada se você a chamar de buceta..."
*
Marla de Queiroz

viernes

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*

Quando você me toca,
Não sou mais nada.
Nem língua,
Nem gesto racional
*
Apenas um ser
Que se expande

desconexo

vibrante em pulso forte,
Animal

miércoles

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Wlad

*

Então por um momento os dois se apagaram na doce escuridão tão profunda que eles eram mais escuros que a escuridão, por uns instantes ambos eram mais escuros que as negras árvores, e depois tão escuro que, quando ela tentou erguer os olhos até ele, só pôde ver as ondas selvagens do universo acima dos ombros dele,

e então ela disse: "Sim, acho que eu também te amo."

*

Clarice Lispector

Tarot >>>

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Coisas que eu sei
Danni Carlos
Composição: Danni Carlos
Eu quero ficar perto de tudo o que eu acho certoAté o dia em que eu mudar de opiniãoA minha experiência, meu pacto com a ciênciaMeu conhecimento é minha distraçãoCoisas que eu seiEu adivinho sem ninguém ter me contadoCoisas que eu seiO meu rádio-relógio mostra o tempo errado... aperte o ‘Play’Eu gosto do meu quarto, do meu desarrumadoNinguém sabe mexer na minha confusãoÉ o meu ponto de vista, não aceito turistasMeu mundo tá fechado pra visitaçãoCoisas que eu seiO medo mora perto das idéias loucasCoisas que eu seiSe eu for eu vou assim não vou trocar de roupa... é a minha leiEu corto os meus dobradosAcerto os meus pecadosNinguém pergunta mais... depois que eu já pagueiEu vejo o filme em pausasEu imagino casasDepois eu nem me lembro do que desenheiCoisas que eu seiNão guardo mais agendas no meu celularCoisas que eu seiEu compro aparelhos que eu não sei usar... eu já compreiAs vezes dá preguiçaNa areia movediçaQuanto mais eu mexo mais afundo em mimEu moro num cenárioDo lado imaginárioEu entro e saio sempre quando to a fimCoisas que eu seiAs noites ficam claras no raiar do diaCoisas que eu seiSão coisas que antes eu somente não sabia... Agora eu sei

Un antidoto del diablo >>>

martes

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Vanessa Bell - Virginia Woolf
*
*
... es algo asi como cansarse de todo,
todo sigue dando vueltas.
Estoy abriendome,
estoy cansandome.
Mi nación,
no tiene cruces ni banderas ...
*
*

Tenderness >>>

domingo

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*

Give me a reason to love you
Give me a reason to be,
A woman
I just wanna be a woman

*

*

*

viernes

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Max Ernest
*
minha pedra lateja constância
abaixo, a lama aflige
acima, o musgo assenta morada

*
**

jueves

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*
Meu coração tropical está coberto de neve, mas
Ferve em seu cofre gelado
À voz vibra e a mão escreve "mar"
Bendita lâmina grave que fere a parede e traz
As febres loucas e breves que mancham o silêncio e o cais
*
João Bosco

martes

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Ontem senti medo. Um medo que se apagou com as primeiras luzes do dia.


Mandrágora >>>

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Mandrágora acorrentada a um dos cães utilizados para extrair as raízes do solo, Século XII
*
(...) Como tivera razão ao pintar sempre Sabina como uma mandrágora de raízes carnudas, sustentando uma solitária flor de púrpura numa corola de carne narcótica em forma de sino escarlate. Como tivera razão ao pintá-la nascendo com olhos de um vermelho dourado sempre a brilhar como do fundo das cavernas, por detrás das árvores, como uma das mulheres luxuriantes, um desenvolvimento tropical, excomungada da linha do pão como uma substância demasiado rica para a vida diária, colocando-a ali apenas como um habitante do mundo do fogo, e ficando satisfeito com suas aparências intermitentes e parabólicas (...)
Anaïs Nin

Sobre coragem

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Esta mulher buscará sem trégua

(e sem culpa)

os objetivos de sua ilimitada jornada.

Não obstante seus erros,

não orgulhosa de seus acertos.

Se refiro-me a "ela" (na terceira pessoa),

é porque assim permito-me perceber as armaldilhas do seu Ego.

Saber-se solitária também é saber-me.

Simples no mais fácil compartir ...

Sempre disposta

a partir

e a ficar.

Oração ao Tempo

lunes

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(...)
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo
*
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo
*
O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo
*
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo
*
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo
*
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo
*
Caetano Veloso
*
Eu agradeço ...
pelo meu renascimento em vida
oportunidade - competência - coragem - discernimento - amor - certeza - alegria - fé - confiança
Eu agradeço ...
Pela Luz / Graça / Tempo que recebi hoje,
um presente que pretendo honrar
e nas palavras de Caetano - a reprodução exata desse sentimento ...
Obrigada!!!

miércoles

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How I wish, how I wish you were here.
We're just two lost souls swimming in a fish bowl,
year after year,Running over the same old ground.
What have you found?
The same old fears.
Wish you were here ...

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[19] Assim como uma pessoa magoada e rodeada de gente descuidada protege a sua ferida com cuidado, assim, rodeados de malfeitores, devemos proteger a nossa mente como se ele fosse uma ferida em carne viva.[20] Com medo de sentir a menor pontada de dor, protejo com todo o cuidado um ferimento. Porque será que, estando ameaçado pelas montanhas que esmagam, nunca me lembro de proteger esta chaga que é a minha mente?
[Montanhas que esmagam são montanhas do inferno que, aproximando-se entre si, esmagam os danados.]
[21] Agindo conforme esta regra de conduta, o asceta, mesmo rodeado de malfeitores ou entre um rancho de mulheres, permanece firme e tranqüilo.[22] Que me importa perder toda a minha fortuna, todas as honrarias, a própria vida e mesmo qualquer outro bem espiritual, mas perder a minha mente, isso nunca![23] Aos que querem controlar a mente, dirijo esta minha súplica: "Guardem com toda a força a atenção e a vigilância!"[24] Assim como um homem perturbado pela doença é incapaz de agir, a mente perdida e dispersa é incapaz de qualquer ação.[25] Se a mente vagueia na distração, tudo o que o estudo, a reflexão e a meditação puderem produzir, esvai-se da memória como a água de um vaso rachado.[26] Muitos são os homens instruídos, crentes e zelosos, que, por falta de vigilância, se expõem às máculas da transgressão.[27] A inconsciência é um ladrão sempre à espera de um eclipse da atenção; assim, despojados do mérito acumulado, caímos nos destinos fatais.[28] As emoções negativas são um bando de piratas à procura de uma passagem; se a encontram, pilham-nos toda a virtude e arrasam a fortuna, que é um renascimento nos mundos superiores.[29] Oh atenção, nunca te afastes da porta da mente! Recordemos os suplícios dos mundos inferiores para a fazer voltar, caso ela se afaste.[30] Felizes os que agem com cuidado e consideração no respeito pelas instruções de seus mestres! Da convivência com os mestres nasce facilmente a atenção.[31-32] "Os Buddhas e os Bodhisattvas pousam o seu olhar sobre todas as coisas, tudo lhes é presente e também eu estou na sua presença." Com este pensamento, que a nossa conduta reflita modéstia, respeito e receio. Façamos com que a lembrança dos Buddhas nos venha a cada instante.[33] Quando a atenção permanece à porta da mente para a guardar, a vigilância vem e, mesmo que se afaste, rapidamente volta.[34] Portanto, antes de mais, devo estar consciente do meu estado de mente e, se em falta, devo permanecer imóvel e sossegado como uma tora.[35] Sem espreitadelas inúteis para aqui e acolá, devo guardar o olhar ligeiramente baixo e a mente em recolhimento.[36] Para repousar a vista, podemos ocasionalmente contemplar o horizonte e quando percebemos a sombra de um viandante podemos levantar o olhar para o saudar.[37] A caminho, para nos darmos conta de eventuais obstáculos, podemos examinar sempre que necessário os quatro pontos cardeais. Quando repousamos, podemos voltar-nos e olhar para trás.[38] Depois, tendo visto o que se passa à frente e atrás, podemos avançar, recuar ou fazer com conhecimento de causa o que é conveniente face às circunstâncias.[39] "A posição do meu corpo deve ser esta", diz o neófito ao começar uma certa ação, e, enquanto ela decorrer, deve ainda verificar a sua posição de vez em quando.[40] Deve também vigiar de perto a mente, esse elefante no cio, com medo que ele rompa o laço que o amarra ao grande mastro, que é o respeito pelo Dharma.[41] "Como está a minha mente?" Vai repetindo, enquanto se exerce na meditação, e observa-a sem a deixar escapar um só instante.[42] Se, todavia, em certas circunstâncias não for possível agir assim, como num grande perigo ou numa festa, então que esteja à vontade, pois é dito que no tempo da generosidade a disciplina pode folgar![43] Se decidimos, a propósito, começar uma atividade, não devemos pensar noutra antes de a acabar, agindo de mente inteira.[44] Deste modo, o que fizermos será bem feito; senão, ambas as ações serão defeituosas e a confusão que nasce da falta de vigilância não parará de crescer.[45] Abandonemos o interesse pelas coisas sensacionais e pelas mais variadas e infatigáveis conversas, nas quais nos deleitamos demasiado freqüentemente.[46] Esgravatar a terra, arrancar ervas e traçar linhas no chão são atos estéreis. Recordando a regra dos Buddhas, devemos receá-los e, sem hesitar, renunciar.[47] Se nos queremos mexer ou falar, devemos antes de mais nada examinar a mente, estabilizá-la, e depois então agir da maneira apropriada.[48] Se nos sentimos movidos pelo apego ou pela aversão, não devemos agir nem falar, devemos ficar quietos como uma tora.[49-50] Quando a mente se mostra excitada, trocista e orgulhosa, ou vaidosa, inquiridora e rancorosa, insidiosa, ávida de elogios, desdenhosa, grosseira e brigona, devemos ficar quietos como uma tora.[51] Será que a minha mente está em busca de ganhos ou de honrarias, de glória, ávido de companhia ou desejoso de ser servido? Ficarei, portanto, quieto e contente, como uma tora.[52] A minha mente baniu o interesse pelo bem dos outros, é interesseira e inclinada a conversas? Ficarei, portanto, quieto e contente, como uma tora.[53] Intolerante, indolente, tímido ou desavergonhado, tagarela, dedicado unicamente à camarilha? Ficarei, portanto, quieto e contente, como uma tora.[54] O valoroso praticante, quando vê a mente agitada dest